11/01/2026
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fogo na patagonia argentina

Um grande incêndio florestal na Patagônia argentina está fora de controle, consumindo mais de 5.500 hectares de vegetação até este sábado. O equivalente a cerca de 7.700 campos de futebol, a devastação tem causado alarme entre as comunidades locais e forçado a evacuação de mais de 3.000 turistas da região.

O incêndio começou na segunda-feira na cidade turística de Puerto Patriada, localizada a aproximadamente 1.700 quilômetros a sudoeste de Buenos Aires. Desde então, as chamas se alastraram rapidamente, exacerbadas por condições climáticas adversas, como seca e ventos fortes. Flavia Broffoni, uma moradora da cidade de Epuyén, desabafou em sua conta do Instagram: “Não há como descrever o que estamos vivenciando. Há incêndios por toda parte, um novo foco é relatado a cada 5 minutos. É o inferno”.

O incêndio atingiu áreas críticas, cercando a pequena cidade de Epuyén, que tem pouco mais de 2.000 habitantes. Apesar dos esforços de centenas de bombeiros e voluntários, mais de 10 casas já foram destruídas. O governador da província de Chubut, Ignacio Torres, mencionou que as próximas 48 horas serão decisivas para conter o avanço das chamas.

Investigações e Causas do Incêndio

Segundo autoridades, um dos focos do incêndio foi provocado intencionalmente, o que gerou uma onda de indignação na comunidade. O procurador responsável pela investigação afirmou que o fogo “foi iniciado com um acelerante ou gasolina”, sugerindo que alguém teve a intenção de iniciar o incêndio. Torres anunciou uma recompensa de 50 milhões de pesos (cerca de R$ 184 mil) por informações que levem à identificação do responsável.

Além de Chubut, incêndios florestais também estão se espalhando pelas províncias patagônicas de Neuquén, Santa Cruz e Río Negro, com a Agência Federal de Emergências alertando para a gravidade da situação. Os moradores da região ainda lembram dos incêndios devastadores que ocorreram entre janeiro e fevereiro de 2025, quando quase 32 mil hectares foram consumidos pelo fogo.

Desafios para os Bombeiros e Comunidades Locais

A operação de combate ao incêndio envolve cerca de 500 pessoas, incluindo bombeiros, equipes de resgate e forças de segurança. A situação se torna ainda mais complexa devido às mudanças climáticas, que têm tornado os incêndios mais agressivos e difíceis de controlar. Hernán Ñanco, membro da Brigada de Combate a Incêndios Florestais do Sul, destacou que as temperaturas mais altas e a umidade reduzida estão desafiando as estratégias tradicionais de combate ao fogo.

Os bombeiros enfrentam outra dificuldade: a necessidade de conciliar múltiplos empregos devido aos cortes nos gastos públicos, que resultaram em salários baixos, variando entre 600 mil e 900 mil pesos (cerca de R$ 2.192 e R$ 3.288). “Não dá para viver com isso, e muitos estão deixando a profissão”, afirmou Ñanco, enfatizando o esgotamento físico e mental enfrentado pelos profissionais.

Além das instituições oficiais, brigadas comunitárias têm se mobilizado para ajudar no combate ao incêndio. Essas brigadas, formadas por moradores locais, têm se tornado essenciais na defesa das florestas e na proteção de suas casas. “As instituições estão sobrecarregadas, e nós também. O fogo é enorme e tem se comportado de maneira extremamente agressiva há dias”, afirmaram representantes da Brigada Patagônica em suas redes sociais.

A luta contra os incêndios florestais na Patagônia continua, com a esperança de que os esforços conjuntos e a colaboração entre moradores e autoridades possam trazer alívio a essa grave situação.

Sobre o autor: Antônio

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