12/01/2026

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O K-pop tem se consolidado como uma das mais influentes forças da cultura pop global nas últimas décadas. Contudo, a sua recepção em premiações tradicionais como o Grammy tem sido, historicamente, morna. Embora artistas do gênero tenham se apresentado na cerimônia, nenhum deles conseguiu levar um troféu para casa. Entretanto, a próxima edição do Grammy Awards, marcada para 2026, poderá marcar uma mudança significativa nessa trajetória.

As indicações para o Grammy 2026 trazem uma novidade empolgante: pela primeira vez, canções lançadas por artistas de K-pop foram indicadas nas quatro principais categorias. Entre os destaques está Rosé, integrante do renomado grupo Blackpink, que foi indicada na categoria de Gravação do Ano por sua música “APT.”, uma colaboração com o famoso artista Bruno Mars. Esta indicação representa um marco importante para a visibilidade do K-pop na indústria musical ocidental.

Na categoria de Canção do Ano, a competição também traz uma forte presença do K-pop. A música “K-pop Deokhu” é uma das indicadas, competindo com “Golden”, do grupo fictício HUNTR/X, que conta com a participação de Ejae, Audrey Nuna e Rei Ami, da trilha sonora do projeto “K-pop Demon Hunters”. Além disso, o grupo feminino Katseye, fruto da famosa empresa de entretenimento HYBE — conhecida por seu trabalho com o BTS e outros artistas de sucesso — foi nomeado como melhor artista revelação.

Um Marco Histórico?

Essa série de indicações levanta questões sobre o reconhecimento do K-pop como um gênero musical legítimo dentro das premiações tradicionais. Para Areum Jeong, professora assistente de Estudos Coreanos na Universidade Estadual do Arizona e autora do livro “K-pop Fandom: Performing Deokhu from the 1990s to Today”, as indicações não refletem um verdadeiro reconhecimento do K-pop. Segundo ela, essas músicas representam uma “ideia híbrida e desterritorializada do K-pop”, em vez de uma celebração autêntica do gênero.

Jeong argumenta que, apesar de Rosé ter sido treinada sob o sistema K-pop e de “APT.” incorporar elementos culturais coreanos, a sonoridade da canção não se alinha com o que tradicionalmente se considera K-pop. Da mesma forma, Katseye, apesar de sua origem ligada à HYBE, parece estar mais voltada para um público ocidental do que para os fãs tradicionais do K-pop.

Essas análises indicam que, embora as indicações possam ser um passo positivo, ainda há um longo caminho a percorrer para que o K-pop seja verdadeiramente reconhecido e respeitado no âmbito das premiações internacionais. O que se vê, por ora, é uma tentativa de adaptar o gênero para agradar um público mais amplo, sem necessariamente abraçar suas raízes e características que o tornaram popular.

Conclusão

Com as indicações ao Grammy 2026, o K-pop se aproxima de uma possível consagração em uma das premiações mais prestigiadas do mundo. No entanto, o debate sobre a autenticidade e a verdadeira representação do gênero permanece em aberto. Resta saber se essas indicações se transformarão em vitórias e, mais importante, se elas sinalizam um reconhecimento real das contribuições do K-pop à música global ou se são apenas um reflexo de adaptações comerciais. O futuro do K-pop nas grandes premiações continuará sendo um tema a ser acompanhado de perto.

Sobre o autor: Antônio

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