A situação envolvendo a exigência de transparência em relação ao caso de Jeffrey Epstein, acusado de tráfico sexual, gerou uma onda de incerteza e especulações sobre como o presidente Donald Trump reagirá. No passado, as vítimas de Epstein já enfrentaram adiamentos na busca por justiça e agora estão alertando para a possibilidade de que a revolta de partes do Partido Republicano contra Trump seja apenas mais uma fase em sua longa luta por reconhecimento e vindicação.
Na quarta-feira, Washington estava em expectativa para saber se Trump assinaria um projeto de lei aprovado na Câmara dos Representantes com um expressivo apoio de 427 a 1 e rapidamente aprovado pelo Senado. O projeto exige que o Departamento de Justiça libere todos os arquivos e documentos da investigação sobre Epstein em até 30 dias após a assinatura. A hesitação de Trump em sancionar o projeto não é surpreendente, já que ele tentava manter as informações em segredo.
Com a aprovação do projeto, Trump se viu em uma posição difícil. Um veto presidencial provavelmente seria derrubado pelo Congresso, o que coloca o Departamento de Justiça sob a obrigação de cumprir a nova lei. Qualquer atraso na liberação dos dados pode piorar ainda mais a já negativa percepção pública sobre sua gestão do caso e levantar questões sobre o que ele estaria tentando esconder.
Os sobreviventes de Epstein e críticos de Trump se preparam para a próxima etapa na luta pela liberação dos documentos, mas há incerteza sobre quando e quanto dos dados será disponibilizado. Os legisladores que apoiaram a lei se mostraram inseguros sobre o que poderia acontecer se Trump decidisse ignorá-la. A Procuradora Geral Pam Bondi, ao lidar com o tema em público, não conseguiu transmitir confiança sobre a implementação da lei.
Indícios também surgem sobre o impacto que a liberação dos arquivos pode ter sobre figuras de destaque nos negócios, na política e no entretenimento, que estão interligados ao nome de Epstein. Larry Summers, ex-secretário do Tesouro e membro do conselho da OpenAI, renunciou ao cargo após revelações sobre seu relacionamento com Epstein. Ele também não completará o semestre como professor na Universidade de Harvard.
A representante Stacey Plaskett, do Partido Democrata, se viu em apuros ao tentar justificar mensagens trocadas com Epstein durante uma audiência no Congresso em 2019. A falta de clareza sobre como a situação irá se desenrolar gera preocupação e debates acalorados.
Pesquisas recentes indicam que 74% da população desaprovam a maneira como Trump tem lidado com o caso Epstein. Somente 43% dos republicanos expressaram aprovação. Embora Epstein não figure na lista de principais questões para os americanos, a economia e o custo de vida são temas que têm trazido críticas severas a sua administração.
A desconfiança em relação ao Departamento de Justiça, visto como uma extensão do maquinário político de Trump, leva a um ceticismo generalizado sobre se os arquivos serão divulgados conforme a lei. O líder democrata no Senado, Chuck Schumer, alertou que seu partido está preparado para responsabilizar Trump e enfatizou a necessidade de transparência total.
Schumer mencionou que pode haver tentativas do Departamento de Justiça de evitar a liberação dos arquivos, citando investigações sobre democratas que também se relacionam com Epstein, argumentando a favor da proteção de vítimas e testemunhas. Entretanto, relatos sugerem que alguns temem que referências ao próprio Trump sejam suprimidas nas liberações.
O senador democrata Richard Blumenthal expressou falta de confiança na capacidade do Departamento de Justiça de tratar a questão de forma justa e equitativa. Interpretando a rebelião dentro do Partido Republicano como algo que pode potencializar a pressão sobre Trump, o cenário envolve um jogo político delicado.
Alguns senadores manifestaram esperança de que a administração se comporte de maneira correta. Mesmo assim, muitos no Congresso se preparam para garantir que a nova lei seja efetivamente cumprida, considerando a prisão de Epstein como um marco que afetou muitos além dos seus crimes.
As vítimas de Epstein, como Sharlene Rochard, continuam aguardando ansiosamente por transparência e justiça, clamando por provas que confirmem suas experiências e contribuam para que tais abusos não ocorram novamente.
