03/03/2026
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Atacadão reduz conta de luz com energia solar e enfrenta desafios

A rede de atacarejo Atacadão, controlada pelo francês Carrefour, planeja instalar painéis solares em suas novas lojas para reduzir os custos com energia em até 50%. Isso ocorre em um cenário desafiador, marcado pelo alto endividamento da população e pela taxa de juros elevada, que levaram o setor a adotar uma postura mais cautelosa.

Atualmente, o Atacadão já implementou esses painéis em 25 de suas 385 lojas no Brasil. Segundo Marco Oliveira, presidente-executivo da empresa, esses sistemas têm conseguido atender entre 40% e 50% do consumo elétrico de cada unidade. Desde o início do projeto, há três anos, o custo dos painéis solares reduziu significativamente, passando de quase R$ 7 milhões para entre R$ 3 milhões e R$ 4 milhões por loja. Oliveira destacou que, a partir deste ano, todas as novas lojas do Atacadão já serão inauguradas com os painéis solares instalados, além de mencionar melhorias na tecnologia que tornaram os equipamentos mais leves e de fácil instalação.

Os gastos com energia nas lojas que não possuem painéis solares podem variar entre R$ 100 mil e R$ 150 mil por mês, sendo o ar-condicionado a principal fonte de consumo. Recentemente, o Atacadão instalou painéis em três de suas lojas no Pará, antecipando-se à realização da COP30 em Belém, que ocorreria em breve.

A meta da empresa é instalar painéis solares em 25 lojas anualmente. Para os próximos anos, o Atacadão planeja abrir entre 10 e 15 novas lojas em 2026 e avalia um potencial de até 120 inaugurações nos próximos cinco anos, embora a concretização desse plano dependa de condições econômicas favoráveis, especialmente uma redução significativa nas taxas de juros.

Oliveira também observou que a desaceleração no ritmo de abertura de novas lojas não reflete a demanda do mercado, mas é influenciada pela alta taxa de juros, atualmente em torno de 15% ao ano. O investimento médio para abrir uma loja do Atacadão é estimado em R$ 75 milhões.

O cenário para o setor de atacarejo continua desafiador. Oliveira apontou que 75% das famílias brasileiras estão endividadas e que não há previsão de melhora a curto prazo. Nos últimos anos, a inflação de preços não foi acompanhada por um aumento correspondente nos salários, resultando em uma tendência de queda no consumo e na troca de marcas mais caras por opções mais acessíveis. Ele também mencionou que a facilidade de crédito consignado aumentou ainda mais o endividamento e que as vendas continuam a enfrentar uma leve queda.