08/04/2026
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Adam Back nega ser Satoshi Nakamoto

O empresário britânico Adam Back afirmou à BBC que não é o inventor misterioso da moeda digital, após um artigo do New York Times tê-lo nomeado como seu criador.

Adam Back, um desenvolvedor proeminente do Bitcoin, disse que a investigação de grande visibilidade foi um caso de “viés de confirmação” e que ele não é a pessoa conhecida como Satoshi Nakamoto.

A verdadeira identidade de Satoshi Nakamoto é um dos mistérios mais duradouros da internet, e Back já foi acusado de ser Satoshi muitas vezes antes.

Mas Back disse à BBC, na plataforma X: “Eu não sou Satoshi, mas estive envolvido desde cedo, com foco total nas implicações sociais positivas da criptografia, privacidade online e dinheiro eletrônico.”

No longo artigo do New York Times escrito por John Carreyrou, os e-mails e postagens online de Back são comparados aos de Satoshi, com semelhanças impressionantes.

Uma análise da atividade online de Back também coincide com o desaparecimento de Satoshi, pouco após o white paper do Bitcoin – o manifesto que descreve sua filosofia – ter sido publicado na internet.

No X, Back se pronunciou sobre a afirmação do New York Times de que ele esteve ausente dos fóruns de Bitcoin na época em que Satoshi estava mais ativo e retornou depois que Satoshi desapareceu. Ele disse que, na verdade, “falou muito” nos fóruns naquela época.

Ele afirmou que o resto das evidências do New York Times é “uma combinação de coincidência e frases semelhantes de pessoas com experiência e interesses similares”.

A intriga em torno de Satoshi não se deve apenas ao mistério de sua identidade, mas também à enorme fortuna que ele acumulou.

Se ele ainda tiver controle de sua carteira de Bitcoin que minerou as primeiras unidades, ela valeria cerca de 70 bilhões de dólares hoje, o que faria de Satoshi uma das pessoas mais ricas do mundo.

O estoque de mais de um milhão de Bitcoins de Satoshi representa 5% de toda a moeda, já que o inventor decidiu que apenas 21 milhões de unidades seriam criadas.

No X, Back brincou que, na verdade, ele não tinha Bitcoins suficientes. “Estou chutando a mim mesmo por não ter minerado com afinco em 2009”, postou ele.

Esta não é a primeira vez que alguém é “revelado” como o inventor do Bitcoin.

Em 2024, um documentário da HBO nomeou o especialista canadense em criptomoedas Peter Todd como Satoshi. Todd disse que era “ludícro” e desde então forneceu evidências que reduzem a probabilidade.

No mesmo ano, uma coletiva de imprensa foi realizada em Londres pelo britânico Stephen Mollah, onde ele afirmou ser Satoshi, mas sua alegação foi amplamente ignorada.

Outras pessoas do mundo da computação e tecnologia já foram apontadas anteriormente como a criadora da criptomoeda.

Em 2014, um artigo de grande visibilidade na Newsweek identificou Dorian Nakamoto, um homem nipo-americano que vive na Califórnia, como Satoshi. Mas ele negou e a alegação foi amplamente desacreditada.

Em 2015, Wired e Gizmodo publicaram uma investigação que apontava para o cientista da computação australiano Craig Wright. Logo depois, Wright declarou em entrevistas a veículos, incluindo a BBC, que ele era de fato Satoshi e mostrou uma aparente prova.

Mas suas alegações foram desconsideradas pela comunidade e, após anos afirmando ser o inventor, um juiz do Tribunal Superior do Reino Unido decidiu que ele não era Satoshi.

Back foi uma das testemunhas nas audiências que deram evidências contra as alegações de Wright.

Para algumas das vozes mais proeminentes do Bitcoin, manter a identidade de Satoshi em segredo é parte do apelo e do poder da criptomoeda descentralizada.

Back postou no X que não sabe quem é Satoshi e “acho que é bom para o bitcoin”.

A busca pelo criador do Bitcoin, Satoshi Nakamoto, segue sem uma resposta definitiva. Apesar de diversas especulações e investigações ao longo dos anos, a identidade real permanece anônima. Esse anonimato é visto por muitos entusiastas como um elemento central da filosofia da moeda, que prega a descentralização e a independência de qualquer figura ou instituição central. A falta de um rosto conhecido impede que o projeto seja associado a uma única pessoa, mantendo o foco na tecnologia e em seus princípios fundamentais.