O novo filme “Agentes Muito Especiais” surge como uma homenagem ao icônico Paulo Gustavo, mesclando humor e ação em uma narrativa que traz à tona a representatividade LGBTQ+ na cultura pop brasileira. A ideia do filme nasceu em uma tarde comum, quando os amigos Marcus Majella e Paulo Gustavo deixaram o cinema após assistirem a “Tropa de Elite”. O entusiasmo pelo filme despertou a imaginação dos dois, que começaram a sonhar com a possibilidade de protagonistas gays na trama policial.
Com o passar dos anos, a ideia de Majella e Gustavo permaneceu latente, mesmo com os sucessos da trilogia “Minha Mãe é uma Peça” e outros projetos. Foi somente na produção do terceiro filme da saga que Gustavo voltou a discutir a possibilidade de realizar “Agentes Muito Especiais”, acreditando que o momento certo havia chegado. No entanto, a pandemia e a trágica morte de Paulo Gustavo, em maio de 2021, ameaçaram enterrar esse sonho.
Após a perda, Majella acreditou que o projeto havia morrido junto com seu amigo. Entretanto, a mãe de Paulo, Déa Lúcia, fez um importante chamado, questionando sobre o futuro do filme. Sua insistência e o argumento de que o projeto celebraria os 20 anos de amizade entre Majella e Gustavo foram cruciais para que o filme fosse retomado. “Ela disse que era por isso mesmo. Ia celebrar fazendo esse filme. ‘Nada mais justo. Celebre. Vai lá, faz. Era a vontade dele’”, compartilhou Majella.
Assim, o projeto ganhou vida novamente. Marcus Majella entrou em contato com o diretor Pedro Antonio, e a produtora Migdal Filmes se juntou à equipe. Para substituir a presença de Paulo Gustavo, Majella convidou seu amigo e ator Pedroca Monteiro, que aceitou o desafio com entusiasmo e emoção.
“Agentes Muito Especiais” apresenta a história de Jeff, interpretado por Majella, e Johnny, vivido por Pedroca. Os dois se veem em um treinamento para integrar o Centro de Operações de Inteligência da Polícia, onde a missão peculiar é infiltrar-se em uma penitenciária para desmantelar uma quadrilha liderada por uma vilã, interpretada por Dira Paes. A interação entre os protagonistas passa de rivalidade inicial a uma parceria sólida, refletindo o crescimento pessoal e profissional de cada um.
Dira Paes destaca a complexidade de sua personagem, que busca ser uma vilã carismática e poderosa. “O que a onça é? Ela tem um encantamento. Temida e desejada”, explica a atriz, ressaltando a intenção de dar profundidade à sua interpretação.
O diretor Pedro Antonio enfatiza que o filme deve funcionar tanto como comédia quanto como ação, buscando entretenimento de qualidade, mesmo com um orçamento menor em comparação a grandes produções. A missão é criar uma obra que respeite o legado de Paulo Gustavo, mantendo sua essência e humor característicos.
O roteiro, desenvolvido por Fil Braz, preserva as ideias originais de Majella e Gustavo, refletindo as conversas criativas que tiveram ao longo dos anos. Majella relembra as ligações noturnas onde criavam situações engraçadas e absurdas, destacando que o espírito de Paulo Gustavo permanece em cada detalhe do filme.
Para Pedroca, participar deste projeto é uma forma de manter viva a memória de Paulo Gustavo, enquanto Dira Paes vê em Majella a conexão com o amigo. A produção simboliza não apenas a homenagem a um artista querido, mas também a celebração de uma amizade que transcende a vida.
“Agentes Muito Especiais” é, assim, a concretização de um sonho que Paulo Gustavo não pôde ver, mas que vive em cada cena e risada, demonstrando que o amor e a arte podem eternizar memórias e laços. Através do cinema, a despedida se torna uma celebração da vida e da amizade.
