28/07/2026
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Angela Davis: Supremacistas saíram do armário

Em visita ao Brasil pela décima vez, a escritora e ativista Angela Davis, uma das principais referências do feminismo mundial, afirmou que a supremacia branca não está em ascensão nos Estados Unidos. Segundo ela, os grupos extremistas apenas “saíram do armário”. Davis é um dos nomes mais esperados da Festa Literária Internacional de Paraty (Flip), onde participa de um debate no sábado (25).

Em entrevista ao jornal Folha de S.Paulo, Davis defendeu o fim do sistema carcerário e criticou o uso de tecnologias como reconhecimento facial e algoritmos preditivos na segurança pública. Para ela, essas ferramentas são perigosas porque têm como base o racismo estrutural. “O policiamento preditivo é projetado para manter as estruturas sociais e econômicas como estão”, disse.

Questionada sobre o movimento “Defund the Police”, a ativista avaliou que ele fracassou em grande parte por causa de intervenções conservadoras. Davis, no entanto, acredita que as bases para uma transformação foram lançadas e que o desejo de criar uma democracia real ainda persiste em setores da sociedade americana.

Sobre a volta de Donald Trump à presidência, Davis afirmou que o republicano não representa a maioria do país. “As estatísticas indicam que mal um terço de toda a população o apoia”, disse. Ela atribuiu a vitória de Trump ao fato de muitas pessoas terem deixado de votar.

A ativista também comentou a causa palestina. Para ela, equiparar antissemitismo à solidariedade com os palestinos é uma tática usada por conservadores. Davis disse que pesquisas nos EUA mostram que a maioria da população hoje se inclina mais para a solidariedade palestina do que para o Estado de Israel.

Davis refutou o status de ícone que lhe é atribuído. “Detesto isso”, afirmou. Ela participa da Flip ao lado da acadêmica Gina Dent, sua companheira de vida e de projetos. Juntas, elas escrevem um livro sobre jazz.

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