12/01/2026
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Anvisa aprova lenacapavir para prevenção do HIV

A Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) aprovou no dia 12 de janeiro de 2026 o registro do lenacapavir, um novo medicamento destinado à profilaxia pré-exposição (PrEP) para a prevenção do HIV-1. A decisão representa um avanço significativo na luta contra o vírus, oferecendo uma nova alternativa para adultos e adolescentes a partir de 12 anos que pesem pelo menos 35 kg e estejam em risco de contrair o HIV-1.

Para iniciar o tratamento com lenacapavir, é obrigatório que os pacientes apresentem um teste negativo para HIV-1. Embora a Anvisa tenha concedido o registro, o medicamento ainda aguarda a definição de um preço máximo pela Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED). Além disso, sua disponibilização no Sistema Único de Saúde (SUS) será analisada pela Conitec e pelo Ministério da Saúde.

Nos Estados Unidos, o preço do lenacapavir gerou preocupações. Segundo uma reportagem do The New York Times, a profilaxia pré-exposição com o medicamento custaria cerca de US$ 28.218 (aproximadamente R$ 151.688 na cotação atual). Essa questão de custo pode impactar o acesso ao tratamento, especialmente em países em desenvolvimento, onde a assistência médica muitas vezes depende de políticas públicas e subsídios.

O lenacapavir atua inibindo múltiplos estágios da função do capsídeo do HIV-1, o que impede a replicação do vírus. O medicamento está disponível em duas formas: uma injeção subcutânea administrada a cada seis meses e um comprimido oral, indicado no início do tratamento. O registro do lenacapavir também inclui sua utilização para tratamento de pacientes multiexperimentados (HTE) que apresentam resistência a múltiplas classes de antirretrovirais.

A PrEP é considerada uma estratégia essencial na prevenção do HIV, permitindo que pessoas que não têm o vírus, mas estão em risco de contrair a doença, utilizem medicamentos antirretrovirais para reduzir significativamente as chances de transmissão. Desde 2018, a PrEP está disponível gratuitamente pelo SUS no Brasil, na forma de um regime oral diário, utilizando tenofovir disoproxil e emtricitabina. Apesar de sua eficácia, essa abordagem requer adesão contínua, com a necessidade de tomar a medicação diariamente e comparecer regularmente às Unidades de Saúde.

O lenacapavir já foi aprovado pela FDA nos Estados Unidos como uma opção de PrEP injetável semestral e como terapia para pacientes HTE. Na União Europeia, foi aprovado sob o nome de Yeytuo. Em julho de 2025, a OMS (Organização Mundial da Saúde) recomendou o lenacapavir como uma opção adicional para a PrEP, caracterizando-o como uma das melhores alternativas após uma vacina.

A introdução do lenacapavir no mercado brasileiro pode representar um passo importante na chamada “prevenção combinada”, que engloba outras medidas como testagem regular para HIV, uso de preservativos, tratamento antirretroviral (TARV) e cuidados direcionados a gestantes soropositivas. Estudos clínicos demonstraram que o lenacapavir possui 100% de eficácia na redução da incidência de HIV-1 em mulheres cisgênero, 96% de eficácia em comparação com a incidência de HIV de base e 89% superior à PrEP oral diária.

Com a aprovação da Anvisa, o lenacapavir se torna uma nova ferramenta na luta contra a transmissão do HIV-1, ampliando as opções de prevenção e contribuindo para os esforços globais de controle da epidemia de AIDS.

Sobre o autor: Antônio

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