A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou recentemente o uso do medicamento Leqembi, que promete uma nova abordagem no tratamento da doença de Alzheimer em seu estágio inicial. Este fármaco se destaca por sua capacidade de desacelerar a progressão dos sintomas, em vez de apenas aliviar os sinais da doença, como ocorre com as opções já existentes no mercado.
O Leqembi atua especificamente contra o acúmulo de placas beta-amiloide no cérebro, uma das características mais marcantes da doença de Alzheimer. Essas placas são formadas por proteínas que se acumulam, interferindo nas funções cognitivas e levando ao declínio da memória e de outras habilidades mentais. Os anticorpos presentes no medicamento têm como objetivo reduzir a carga de amiloide, impedindo a formação dessas placas e, assim, promovendo uma melhor qualidade de vida aos pacientes.
Evidências Científicas
A eficácia do Leqembi foi comprovada em um ensaio clínico abrangente, publicado em 2022 na New England Journal of Medicine. O estudo envolveu 1.795 voluntários diagnosticados com Alzheimer em estágio inicial, que receberam infusões do medicamento a cada duas semanas durante 18 meses. Os resultados mostraram uma redução significativa no declínio cognitivo e funcional dos pacientes que estavam sob tratamento, sugerindo que a progressão da doença foi desacelerada.
Os especialistas em farmacologia e neurologia entrevistados pelo g1 destacam que a chegada do Leqembi representa um marco histórico na luta contra o Alzheimer. Ao contrário de outros medicamentos que apenas tratam os sintomas, o Leqembi se propõe a atacar a causa subjacente da doença, o que pode mudar a forma como a condição é gerenciada no futuro.
Desafios e Considerações
Apesar das promissoras evidências de eficácia, o tratamento com Leqembi não é isento de desafios. Os especialistas alertam que o custo elevado do medicamento pode ser um entrave para muitos pacientes. Além disso, sua utilização é restrita a aqueles que atendem a critérios específicos, como a confirmação da presença de placas beta-amiloide e a necessidade de acompanhamento médico contínuo. Isso implica que nem todos os pacientes diagnosticados com Alzheimer terão acesso ao tratamento.
Eduardo Zimmer, pesquisador do Hospital Moinhos de Vento, esclarece que, embora outros fármacos da classe antiamiloide já estejam disponíveis em diversos países, a aprovação do Leqembi no Brasil abre a possibilidade de que medicamentos semelhantes sejam adotados em outras nações que possuam a infraestrutura necessária para esse tipo de tratamento.
Conclusão
A aprovação do Leqembi pela Anvisa representa um avanço significativo na abordagem terapêutica da doença de Alzheimer, oferecendo esperança a pacientes que buscam uma forma de desacelerar a progressão da doença. Entretanto, a combinação de custo elevado e requisitos rigorosos para sua utilização pode limitar o acesso ao tratamento. À medida que a pesquisa avança, a expectativa é que novas opções terapêuticas surjam, ampliando as possibilidades de manejo da doença e beneficiando um número cada vez maior de pacientes.
