07/02/2026
Jornal Expresso»Notícias»arlete salles

arlete salles

A recente volta de Rogério, interpretado por Eduardo Moscovis, na novela Três Graças, gerou grande repercussão nas redes sociais e reacendeu um debate sobre uma estratégia recorrente na teledramaturgia da Rede Globo: o retorno de personagens considerados mortos. Este fenômeno, que vai além da simples reviravolta narrativa, tem sido utilizado como um recurso para atrair audiência e revitalizar tramas que podem estar perdendo engajamento.

Rogério, que havia sido dado como morto após um acidente de barco, retorna para desmascarar a vilã Arminda, vivida por Grazi Massafera. A cena que marca seu retorno rapidamente se tornou um dos tópicos mais comentados na plataforma X, com muitos elogios dos espectadores. No entanto, esse tipo de recurso não é novidade na história das novelas da Globo. Personagens que retornam à vida têm sido uma prática comum em várias produções, como no icônico caso de Odete Roitman, que reapareceu em Vale Tudo mesmo após ter sido baleada, e outros exemplos como Ellen em Dona de Mim e Sandra em Êta Mundo Bom!.

A Estratégia de Reviver Personagens

De acordo com o doutor em Comunicação pela ECA-USP, Lucas Martins, essa prática é uma forma de dar novos ares às histórias em momentos críticos, especialmente quando a audiência começa a esfriar. “Os folhetins recorrem a isso para sacudir a trama na reta final ou para ter uma reviravolta para a audiência”, explica Martins. Ele observa que, em muitos casos, o retorno do personagem não estava inicialmente previsto, mas que, em Três Graças, a volta de Rogério já fazia parte do planejamento dos roteiristas.

Martins destaca que, embora esse recurso seja uma tradição no melodrama, a repetição excessiva desse expediente pode levar a um desgaste nas narrativas. “É preciso uma curadoria das telenovelas, um olhar mais cuidadoso da direção para evitar esse tipo de situação em todas as tramas”, ressalta. Para ele, não se trata de uma crise, mas sim de um cenário em que a televisão enfrenta concorrência crescente de plataformas de streaming, que oferecem narrativas mais inovadoras e verticais.

Impacto na Teledramaturgia

O retorno de personagens mortos-vivos não apenas movimenta a história, mas também gera discussões sobre a qualidade e a criatividade dos roteiros. A prática pode indicar uma falta de inovação, levando a um ciclo de repetição que pode desinteressar o público. A necessidade de surpreender a audiência, especialmente em novelas que já estão há muito tempo no ar, faz com que os roteiristas voltem a utilizar esse tipo de artifício com mais frequência.

À medida que a competição se intensifica, a Globo e outras emissoras terão que encontrar um equilíbrio entre recursos narrativos tradicionais e a busca por novas formas de contar histórias. O desafio será manter o público engajado e, ao mesmo tempo, inovar para não se tornar previsível.

Em suma, a volta de Rogério em Três Graças é um exemplo claro de uma estratégia que, embora eficaz em atrair a atenção do público, levanta questões sobre a originalidade e a sustentabilidade das narrativas nas novelas brasileiras. A reflexão sobre esse fenômeno pode ser um passo importante para o futuro da teledramaturgia no Brasil.