13/01/2026
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Banco Central Aceita Inspeção Após Recuo do TCU

O Banco Central (BC) do Brasil decidiu não mais contestar uma inspeção do Tribunal de Contas da União (TCU) relacionada à sua atuação na liquidação do Banco Master. A decisão, tomada em uma reunião entre o presidente do BC, Gabriel Galípolo, e o presidente do TCU, ministro Vital do Rêgo Filho, marca um passo importante na apuração de possíveis falhas na supervisão do BC sobre o banco liquidado.

No encontro, realizado na segunda-feira (8/1), Vital do Rêgo afirmou que a possibilidade de uma medida cautelar do TCU contra o BC estava afastada. Essa medida, que gerou preocupações no setor bancário, poderia ter anulado a liquidação do Banco Master. O presidente do TCU destacou a convergência entre as duas instituições em relação à fiscalização e à importância de respeitar as prerrogativas de cada órgão.

O contexto da inspeção do TCU é complexo e envolve investigações sobre fraudes bilionárias associadas ao Banco Master. A liquidação do banco foi determinada pelo BC em 18 de novembro de 2025, e, no mesmo dia, o proprietário do banco, Daniel Vorcaro, foi preso. Ele havia sido liberado sob monitoramento eletrônico após obter um habeas corpus.

Motivos para a Inspeção

A inspeção do TCU, solicitada pelo Ministério Público, visa investigar se houve atrasos na condução de alternativas à liquidação do Banco Master, como a venda do banco para outra instituição financeira. O ministro Jhonatan de Jesus, relator do caso no TCU, havia observado que o BC não apresentou provas documentais suficientes para justificar sua decisão. Em resposta, o BC enviou um relatório que, embora tenha fornecido esclarecimentos, permanece sob sigilo.

O TCU busca esclarecer a cronologia dos eventos que levaram à liquidação do banco e se houve divergências internas no BC sobre propostas de compra. Jhonatan de Jesus também pediu a análise de uma videoconferência ocorrida um dia antes da liquidação, onde uma nova proposta de compra foi apresentada.

Além dos aspectos administrativos, a situação do Banco Master também está sendo investigada pelo Supremo Tribunal Federal (STF), onde tramita um inquérito sob a relatoria do ministro Dias Toffoli. A Câmara dos Deputados também está considerando abrir uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) para investigar o caso, com apoio de diversos parlamentares.

Implicações da Decisão do Banco Central

A desistência do Banco Central em contestar a inspeção do TCU pode ser vista como um movimento para garantir transparência no processo e evitar uma escalada de tensões entre as instituições. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva também se envolveu no assunto, mantendo diálogo com o presidente do TCU, o que indica a relevância política do caso.

O Banco Central sustenta que a liquidação do Banco Master não foi uma decisão precipitada, mas uma resposta a uma crise de liquidez e irregularidades detectadas nas operações do banco. Essa posição, no entanto, será desafiada pela investigação em andamento, que busca esclarecer todos os detalhes do processo de supervisão e a adequação das ações do BC.

À medida que a inspeção do TCU avança, as expectativas são de que novas informações sejam divulgadas, possibilitando uma compreensão mais clara sobre o que ocorreu com o Banco Master e a atuação do Banco Central. O desfecho desse caso poderá ter implicações significativas para o sistema financeiro brasileiro e a confiança nas instituições reguladoras.

Sobre o autor: Antônio

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