13/05/2026
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Barulho de crianças em “escolinha” força mudança de endereço

Moradores da Rua Anita Garibaldi, no Bairro Mata do Jacinto, em Campo Grande, reclamam do barulho gerado por um espaço de cuidado infantil que funciona em uma casa sem identificação. O imóvel não tem placa que indique a atividade, mas a presença de crianças é percebida pela movimentação na varanda, além de gritos, risadas e choro ao longo do dia.

O aposentado Ernesto Borges, de 70 anos, afirmou à reportagem que a cuidadora começou a atuar no endereço há alguns meses. Segundo ele, as principais queixas vêm dos vizinhos mais próximos. “Está incomodando os vizinhos lá. Não me incomoda muito porque estou um pouco longe, mas faz barulho. Eu não sei se é possível isso aí, se pode exercer essa atividade. Acho que não”, disse.

Uma vizinha do imóvel, enfermeira aposentada de 71 anos que preferiu não se identificar, classificou a convivência como “terrível”. Ela contou que já foram feitas denúncias ao Conselho Tutelar. “Ficam essas crianças soltas direto aí. Já fizemos denúncias, e é um barulho muito forte o dia inteiro. Às 7h da manhã eu acordo com criança chorando, mães deixam e elas ficam chorando por horas”, relatou.

A aposentada disse que a situação é pior porque o quarto dela fica voltado para o imóvel. “É um recreio o dia inteiro. Não consigo fazer nada. É uma coisa sem organização”, completou. Ela afirmou ainda que, antes da mudança, a proprietária informou aos vizinhos que o imóvel seria alugado para uma cuidadora que atenderia cerca de cinco crianças por período. “Ela disse que seriam poucas crianças, mas no outro dia já virou essa bagunça toda”, afirmou.

Tatiely Silva, de 29 anos, responsável pelo espaço, disse ter sido surpreendida pelas reclamações. Segundo ela, a mãe atua há mais de 40 anos no cuidado de crianças no bairro e já teve alvará em outros endereços. “Minha mãe mora aqui e cuida das crianças. No começo foi tranquilo, depois surgiram denúncias por causa do barulho. Fomos ao Conselho Tutelar e nos disseram que barulho de criança não é crime”, explicou.

Diante da situação, Tatiely afirmou que decidiu encerrar as atividades no local e buscar outro endereço. “A gente não veio para causar problema. A proprietária nem mora em Campo Grande e ninguém imaginava que isso aconteceria. Estamos assustados. Trabalham comigo minha mãe, minha tia e meu esposo, que ajuda no transporte das crianças”, relatou.

Ela explicou que o serviço não é caracterizado como creche ou escola. As cerca de 25 crianças atendidas ficam no local apenas no contraturno escolar, recebem alimentação, mas não têm atividades pedagógicas formais. “Quem tem tarefa faz, mas é mais na brincadeira. Não fazemos alfabetização. É um apoio para mães que não têm onde deixar os filhos”, disse. Tatiely afirmou que esta é a primeira vez que precisam mudar de endereço por causa de reclamações. “Temos contrato de um ano, mas vamos precisar rescindir. Fica inviável até como moradia”, completou.

O Conselho Tutelar esteve no local e não constatou violação direta dos direitos das crianças, mas confirmou a irregularidade administrativa e acionou a Secretaria Municipal de Educação (Semed). A Semed informou que realizou vistoria após a denúncia. Em nota, a pasta afirmou que foram identificadas situações inadequadas e irregularidades no atendimento. “O caso foi encaminhado ao Ministério Público para as providências cabíveis”, informou. A reportagem também questionou a prefeitura sobre os procedimentos para regularização de atividades de cuidadora e creches, mas não houve retorno até a publicação. O espaço segue em funcionamento.