17/06/2026
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BC reduz Selic para 14,25% em terceiro corte seguido

BC reduz Selic para 14,25% em terceiro corte seguido

O Copom (Comitê de Política Monetária) do Banco Central reduziu nesta quarta-feira (17) a taxa básica de juros da economia brasileira de 14,50% para 14,25% ao ano. A decisão, tomada durante reunião em Brasília, representa o terceiro corte consecutivo da Selic e confirma a expectativa predominante do mercado financeiro.

Em comunicado, o Banco Central afirmou que o cenário internacional ainda exige cautela devido às incertezas relacionadas aos conflitos no Oriente Médio e aos reflexos sobre as condições financeiras globais. Segundo a autoridade monetária, a volatilidade nos preços de ativos e commodities continua a demandar atenção dos países emergentes.

No cenário interno, o Copom avaliou que a atividade econômica acelerou no primeiro trimestre deste ano, impulsionada principalmente pelos setores mais sensíveis ao ciclo econômico. O colegiado também destacou a resiliência do mercado de trabalho e observou que os indicadores mais recentes apontam aceleração da inflação e das medidas subjacentes, que seguem acima da meta estabelecida.

A decisão ocorreu após a melhora das expectativas do mercado nos últimos dias. O anúncio de um acordo de paz entre Estados Unidos e Irã reduziu as tensões no Oriente Médio e provocou queda no preço internacional do petróleo, fator que tende a aliviar a pressão sobre os combustíveis e, consequentemente, sobre a inflação.

Outro elemento considerado positivo pelos analistas foi o resultado do IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) de maio. A inflação oficial registrou alta de 0,58%, abaixo dos 0,67% observados em abril, indicando desaceleração no ritmo de aumento dos preços.

A Selic é o principal instrumento utilizado pelo Banco Central para controlar a inflação. Juros mais altos encarecem o crédito, reduzem o consumo e ajudam a conter a alta dos preços. Já a redução da taxa busca estimular a atividade econômica ao tornar financiamentos e empréstimos mais acessíveis.

Desde o início de 2025, o Brasil adota o sistema de meta contínua para a inflação. O objetivo central permanece em 3%, com margem de tolerância entre 1,5% e 4,5%. Ao definir a política monetária, o Banco Central considera as projeções futuras para a inflação, uma vez que os efeitos das alterações na taxa de juros costumam aparecer na economia entre seis e 18 meses depois.

Segundo as projeções do mercado financeiro divulgadas na semana passada, a inflação deve encerrar 2027 em 4,10%, percentual acima da meta central perseguida pela autoridade monetária. Na ata da reunião anterior, realizada em abril, o Banco Central já havia sinalizado que o longo período de manutenção dos juros em 15% ao ano contribuiu para desacelerar a economia e criar condições para o início do ciclo de redução da taxa básica.