O ex-prefeito de Campo Grande, Alcides Bernal (PP-MS), prestou depoimento sobre a morte do fiscal aposentado Roberto Carlos Mazzini, ocorrida em março deste ano. Bernal matou Mazzini com dois tiros quando o fiscal tentava tomar posse de uma casa que arrematou em leilão e que pertencia ao ex-prefeito.
Nervoso, tremendo e com a voz embargada, Bernal negou a intenção de matar. Ele disse que “se eles tivessem ficado quietos, eu não ia disparar”, referindo-se ao chaveiro Maurílio da Silva Cardoso, ouvido como testemunha de acusação. O ex-prefeito afirmou que tinha certeza de que os dois homens estavam armados. “Naquele momento, eu achei que os dois estavam armados. Para mim, eles portavam armas”, sustentou.
Sobre os dois tiros que atingiram o fiscal, Bernal afirmou ao juiz Luiz Alberto Garcete, da 1ª Vara do Tribunal do Júri, que não percebeu que a vítima havia caído após o primeiro disparo. “Eu sinceramente não vi na hora. Quando aconteceu, fui tentar olhar se ele estava vivo ou não. Foi tudo muito rápido”, declarou.
O juiz questionou sobre o laudo, que indica um segundo disparo com a vítima já caída. Bernal negou ter atirado com Mazzini no chão. “Eu nunca atirei em um bicho caído, vou atirar em um ser humano? Deus me livre!”, disse. Ele afirmou que os tiros foram à queima-roupa porque ambos caminhavam um na direção do outro e que a vítima caiu apenas após o segundo tiro.
O ex-prefeito disse que se aproximou do fiscal para ver se ele estava vivo e que foi quem acionou o serviço de saúde. Ele justificou que não era a primeira vez que sua casa era furtada e que acreditou se tratar de bandidos. “Uma pessoa de boa-fé, alguém agindo corretamente, buscaria uma ordem judicial e estaria acompanhada de oficial de Justiça ou da polícia”, afirmou.
Bernal alegou que, se soubesse que a vítima havia arrematado a casa em leilão, teria buscado a via judicial adequada. Sobre a arma, um revólver calibre 38 com porte vencido desde 2019, ele negou saber da irregularidade. “Eu não tenho costume de andar armado. Eu acreditava que a situação da arma estava regularizada”, defendeu-se.
Respondendo ao Ministério Público de Mato Grosso do Sul, Bernal reforçou que chamou o Samu para a vítima. “Eu tenho 61 anos. Nunca prendi, nunca fiz nada de mal. Quando vi aquele homem caindo, chamei o Samu, chamei a polícia”, disse. Por fim, falou sobre as famílias envolvidas. “Hoje tem uma família chorando a ausência do seu ente querido, e tem outra família com o seu ente querido atrás das grades. Eu fui defender minha casa e defender minha família.”
