11/01/2026

david bowie

David Bowie, um dos ícones mais influentes da música do século XX, faleceu em 10 de janeiro de 2016. A sua morte gerou uma onda imensa de cobertura na mídia e luto público, fazendo parecer que sua música permaneceria sempre em destaque. Contudo, dez anos depois, levanta-se a questão: o legado musical de Bowie está em risco de se apagar?

Inicialmente, a popularidade de Bowie se manifestou em listas de sucessos, com suas canções “Starman” e “Space Oddity” alcançando posições respeitáveis nas paradas. No entanto, essa visibilidade foi temporária. Embora tenha aparecido na lista de celebridades falecidas mais ricas da Forbes em 2016 e 2017, suas aparições subsequentes foram escassas, com um retorno notável em 2022, principalmente devido à venda de seus direitos de publicação musical.

Um aspecto preocupante é o desempenho de Bowie nas plataformas de streaming. Com apenas 22 milhões de ouvintes mensais no Spotify, ele fica atrás de outros ícones, como Bob Marley e Elvis Presley. Apenas uma de suas faixas, “Under Pressure”, alcançou mais de 2 bilhões de reproduções, em grande parte impulsionada pela associação com a banda Queen.

Um dos desafios enfrentados pelo legado de Bowie é a dificuldade de atrair um público jovem. Apesar de ter perfis em redes sociais como Instagram e TikTok, a estratégia do seu espólio parece priorizar lançamentos direcionados a fãs de longa data, como caixas de colecionador e álbuns ao vivo, que podem estar fora do alcance financeiro dos adolescentes de hoje. A única coletânea de sucessos lançada após sua morte, “Legacy”, não atende a demanda por uma abordagem mais acessível e moderna.

Além disso, a presença de Bowie na cultura popular contemporânea é limitada. Embora tenha sido homenageado em produções como a série “Stranger Things”, seu impacto não se compara ao de outros artistas, como Kate Bush, que viu sua música “Running Up That Hill” ser catapultada para o Top 10 após a mesma exposição. Isso levanta questões sobre a eficácia das estratégias de marketing do espólio de Bowie.

Por outro lado, a administração do espólio parece estar focando na preservação da qualidade em vez da quantidade. A recusa em licenciar sua música para o filme biográfico “Stardust” e a aprovação do documentário “Moonage Daydream” demonstram uma vontade de proteger sua imagem e legado autênticos. O recente Centro David Bowie no V&A East Storehouse, que abriga 80.000 itens de sua carreira, pode se tornar uma fonte importante para as futuras gerações de fãs.

No entanto, a questão permanece: será que essa abordagem conservadora será suficiente para manter a relevância de Bowie no cenário musical atual? A tentativa de revitalizar suas músicas através de colaborações e eventos, como o uso de “Heroes” em “Stranger Things”, não teve o impacto esperado. A estratégia de não se comprometer com tendências momentâneas pode ser admirável, mas também pode resultar em um distanciamento do público jovem.

Em conclusão, enquanto o legado de David Bowie é indiscutivelmente rico e multifacetado, os desafios atuais enfrentados pelo seu espólio em atrair novas audiências e se adaptar a um ambiente musical em rápida mudança levantam dúvidas sobre sua preservação a longo prazo. À medida que as novas gerações buscam novas referências musicais, será crucial que o espólio de Bowie encontre formas inovadoras de manter sua música viva e relevante.

Sobre o autor: Antônio

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