18/06/2026
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Dia do Orgulho Autista: neurodiversidade além dos rótulos

Dia do Orgulho Autista: neurodiversidade além dos rótulos

Celebrado em 18 de junho, o Dia Mundial do Orgulho Autista propõe uma reflexão sobre o autismo que vai além dos estereótipos. A data não foca em limitações, mas sim no reconhecimento da diversidade humana. O movimento defende que pessoas autistas não precisam se encaixar em padrões para serem aceitas, pois possuem formas próprias de pensar, sentir e interagir.

Segundo a neurologista infantil Maria Lina Azevedo, do Hospital Universitário Maria Aparecida Pedrossian (Humap-UFMS), um dos principais desafios é a ideia de que existe um único perfil de pessoa autista. “O autismo não tem uma ‘cara’ única. Existe um amplo espectro de sinais e sintomas possíveis. Temos desde pessoas que necessitam de apoio para atividades básicas da vida diária até aquelas que constituem famílias, desenvolvem carreiras e possuem plena autonomia”, explica.

O Transtorno do Espectro Autista (TEA) é uma condição do neurodesenvolvimento. A especialista reforça que autismo não é doença e, por isso, não tem cura. O que existe é acompanhamento e intervenções para ampliar a autonomia e a qualidade de vida. Quanto mais cedo o suporte começa, maiores são as oportunidades de desenvolvimento.

Os primeiros sinais do TEA costumam surgir nos primeiros anos de vida. Dificuldade para compartilhar interesses, pouco contato visual e atraso em habilidades de comunicação podem servir de alerta. Maria Lina destaca que não é preciso esperar a confirmação do diagnóstico para agir. “Esperar pode significar perder uma janela valiosa do desenvolvimento cerebral”, afirma.

Apesar do debate ter ganhado espaço, muitas famílias enfrentam obstáculos como a falta de profissionais especializados e longas filas para terapias. O preconceito também é um desafio. Muitas pessoas autistas são vistas apenas por suas limitações, e não por suas habilidades e criatividade.

O conceito de neurodiversidade propõe que diferentes formas de funcionamento cerebral não são erros, mas expressões da diversidade humana. A inclusão se torna uma responsabilidade coletiva quando escolas adaptam ambientes, empresas criam oportunidades e a sociedade substitui julgamentos por compreensão. O acompanhamento multiprofissional, com fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e psicólogos, também é fundamental.

O Dia Mundial do Orgulho Autista lembra que cada pessoa autista tem uma trajetória única. A inclusão verdadeira acontece quando as diferenças deixam de ser barreiras e passam a ser respeitadas.