11/01/2026
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O governo brasileiro, sob a liderança do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, anunciou sua decisão de deixar a custódia da Embaixada da Argentina na Venezuela. A informação foi comunicada tanto ao governo argentino quanto à administração da presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez. Essa mudança ocorre em um contexto de tensões diplomáticas e divergências políticas entre os países.

Em agosto de 2024, o Brasil havia assumido a representação diplomática argentina em Caracas a pedido do então presidente argentino, Javier Milei. A decisão se deu após a expulsão dos diplomatas argentinos pela administração de Nicolás Maduro, então presidente da Venezuela. No entanto, a atual decisão do governo Lula de descontinuar essa gestão foi confirmada por fontes do Itamaraty, embora o Ministério das Relações Exteriores não tenha se manifestado oficialmente sobre o assunto.

A ruptura ocorre em meio a diferenças significativas nas posturas dos dois países em relação à recente operação militar dos Estados Unidos na Venezuela, que resultou na captura de Maduro. O governo brasileiro condenou essa ação, defendendo a autodeterminação dos povos e a soberania nacional, enquanto o presidente argentino Milei elogiou a operação militar, demonstrando um claro descompasso nas relações diplomáticas.

O jornal argentino La Nación foi o primeiro a noticiar a mudança e revelou que a Italia, sob o governo da direitista Georgia Meloni, será a nova responsável pela embaixada argentina na Venezuela, a pedido de Milei. A decisão do Brasil, conforme mencionado pelo GLOBO, foi comunicada à chancelaria argentina na mesma data em que um acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia avançou em Bruxelas, ressaltando a complexidade das relações internacionais no momento.

Um dos fatores que pode ter contribuído para a decisão do Itamaraty foi um vídeo publicado por Milei, onde ele elogiava as ações militares dos Estados Unidos, intercalado com imagens do presidente Lula. O descontentamento brasileiro foi exacerbado pelo encerramento do vídeo, que mostrava Lula e Maduro juntos, o que foi interpretado como uma provocação.

Embora a representação brasileira tenha sido breve, durante esse período o Itamaraty atuou na defesa de opositores venezuelanos que buscavam abrigo na embaixada argentina. Esses opositores, ligados a María Corina Machado e à campanha presidencial de Edmundo González Urritia, enfrentavam acusações de terrorismo e desestabilização por parte do regime de Maduro. Eles receberam asilo em março de 2024 e só conseguiram deixar o país em maio de 2025, em direção aos Estados Unidos.

Adicionalmente, o Brasil também tentou interceder pela libertação de Nahuel Gallo, um militar argentino detido na Venezuela desde dezembro de 2024, acusado de atividades terroristas. Apesar das tentativas, Gallo permanece preso, embora haja esperanças de que ele seja libertado em breve, após declarações de Jorge Rodríguez sobre a liberação de presos políticos.

A decisão do governo brasileiro de não mais assumir a embaixada argentina na Venezuela reflete não apenas a dinâmica interna das relações entre os países, mas também um cenário mais amplo de mudanças políticas e diplomáticas na América Latina, onde as alianças e posturas estão em constante evolução.

Sobre o autor: Antônio

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