19/01/2026
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Entenda o ‘Blue Monday’ e sua relação com saúde mental

A terceira segunda-feira de janeiro é conhecida como “Blue Monday”, ou “segunda-feira azul” em português. Esse termo é utilizado para descrever o que se acredita ser o dia mais triste do ano. A expressão “blue” em inglês também se refere à tristeza, o que ajudou a popularizar a ideia. O conceito foi criado em 2005 pelo psicólogo britânico Cliff Arnall, que estava associado à Universidade de Cardiff, no País de Gales. Ele formulou uma teoria que unia vários fatores que, segundo ele, poderiam culminar em uma sensação de desânimo nessa época.

Embora a origem desse conceito tenha raízes publicitárias e não exista comprovação científica que o sustente, o “Blue Monday” se tornou um símbolo para discutir a relação entre saúde mental e diversos fatores emocionais, sociais e físicos. O mês de janeiro, em especial, é marcado pelo retorno à rotina após as festividades de final de ano, o que pode contribuir para essa sensação de tristeza.

De acordo com a teoria de Arnall, o dia mais triste do ano geralmente acontece na última semana cheia de janeiro. Esse desânimo pode ser resultado de dívidas acumuladas, clima ruim, o regresso ao trabalho e às aulas, frustrações em relação a metas não alcançadas e até mesmo o próprio dia da semana, que é uma segunda-feira. Contudo, muitos especialistas em saúde afirmam que essa noção carece de respaldo científico, considerando o “Blue Monday” um mito.

Apesar disso, a data é usada para promover conversas sobre sofrimento emocional e doenças crônicas. Por exemplo, na Colômbia, estudos revelam que até 80% das pessoas que sofrem de enxaqueca também lidam com sintomas de depressão, enquanto cerca de 70% apresentam ansiedade. Em janeiro, as mudanças bruscas de temperatura e a adaptação à nova rotina podem intensificar tanto a dor física quanto o desgaste psicológico.

A enxaqueca afeta cerca de 12% da população mundial, sendo mais comum entre mulheres em idade produtiva nos países da América Latina. Os sintomas incluem dor pulsátil, sensibilidade à luz e ao som, que tendem a se agravar após as festas de fim de ano. Isso ocorre devido ao estresse acumulado e à maior sensibilidade do sistema nervoso a mudanças ambientais.

Estudos indicam que existe um ciclo vicioso entre dor e emoções. A ansiedade e a depressão podem aumentar a frequência e a intensidade das crises de enxaqueca, enquanto conviver com a doença, especialmente em casos crônicos ou não controlados, pode agravar o sofrimento emocional. Entretanto, é comum que o diagnóstico de enxaqueca seja tardio, levando à automedicação e à normalização da dor. Recentemente, avanços em tratamentos preventivos têm ajudado a controlar a enxaqueca antes que as crises ocorram, melhorando a qualidade de vida dos pacientes.

Embora muitas considerem o “Blue Monday” um mito, seu simbolismo levou diversas empresas e instituições, especialmente no Reino Unido, a criar ações para ajudar os funcionários a lidar com a tristeza. Algumas companhias promovem iniciativas de bem-estar, enquanto agências de turismo oferecem pacotes para destinos mais quentes, buscando amenizar o impacto emocional do inverno europeu.

Para enfrentar o “Blue Monday” e dias difíceis, especialistas recomendam algumas práticas que ajudam a cuidar do bem-estar físico e emocional. Exercícios físicos são uma boa alternativa, pois ajudam a liberar endorfinas, hormônios que promovem o bem-estar e reduzem o estresse. Manter relações saudáveis com familiares e amigos é fundamental; interagir com pessoas queridas, mesmo que virtualmente, fortalece o senso de pertencimento.

Garantir um bom descanso é essencial para o equilíbrio emocional, já que o sono adequado regula hormônios como a serotonina e o cortisol, que influenciam o humor. Além disso, técnicas de redução de estresse, como meditação e respiração profunda, podem ajudar a tornar o dia mais tranquilo.