28/04/2026
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FCC nega reaplicação de prova da Alems após apagão

A FCC (Fundação Carlos Chagas) negou o pedido de reaplicação da prova do concurso da Alems (Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul), realizada com falha de energia no IFMS (Instituto Federal de Mato Grosso do Sul), em Campo Grande, no dia 29 de março. A decisão saiu em resposta a recurso administrativo, divulgada nesta terça-feira (28), mesmo dia da publicação da lista preliminar de aprovados.

No documento, a banca afirma que “os procedimentos de aplicação das provas foram integralmente realizados em conformidade com o edital” e classifica a interrupção de energia como “caso fortuito”. A fundação sustenta que adotou providências para garantir a continuidade do exame.

Segundo a resposta, houve “aquisição emergencial de equipamentos de iluminação” para atender as salas e autorização para uso de celulares de fiscais “em modo avião e sob rigoroso controle, exclusivamente para utilização das lanternas”. A banca também cita que técnicos atuaram para restabelecer as condições no local.

A FCC declara ainda que o tempo mínimo de prova foi cumprido e que a organização manteve o controle dos procedimentos. “Conclui-se que a aplicação das provas transcorreu em estrita conformidade com as disposições editalícias”, diz trecho do documento, que aponta manutenção da “lisura e idoneidade” do concurso.

A decisão encerra o recurso com a classificação de “recurso improcedente” e informa que o cronograma será mantido, com continuidade das etapas e divulgação dos resultados.

A resposta contraria candidatos que relatam prejuízo durante a aplicação. No dia da prova, participantes afirmaram que salas ficaram sem energia, ventilação e iluminação cerca de uma hora após o início. Em alguns locais, fiscais teriam usado lanternas para permitir a continuidade.

Relatos também apontam calor intenso e dificuldade para leitura e preenchimento do cartão de respostas. Há registros de fumaça em uma das salas e de orientação para que os candidatos permanecessem no local, mesmo sem esclarecimentos sobre a situação.

Após o episódio, um grupo organizou abaixo-assinado e reuniu assinaturas pedindo nova aplicação. Os candidatos afirmam que “muitos realizaram grande parte do exame no escuro, utilizando lanternas” e que a situação comprometeu “significativamente as condições adequadas e isonômicas”.

A advogada Talita Souza, de 30 anos, uma das responsáveis pela mobilização, afirma que buscou resposta da banca sem retorno imediato. “A FCC disponibilizou o recurso quanto à aplicação da prova, mas até agora nada de resposta. A gente tem o intuito de anexar em uma das denúncias feitas ao MP”, disse.

Ela relata que a prova foi interrompida e retomada sem explicação detalhada. “Mandaram pausar e depois disseram que tinham orientado a continuar. Faltando uma hora, chegou uma luz pequena de LED para a gente conseguir enxergar”, afirmou.

O caso também foi levado ao MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul), que orientou o registro formal das reclamações. Candidatos afirmam que procuraram a Alems pelas redes sociais, mas receberam orientação para tratar diretamente com a banca.