28/07/2026
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Fila dupla na escola: a lição de privilégio que ensinamos aos filhos

Fila dupla na escola: a lição de privilégio que ensinamos aos filhos

Em artigo publicado no Campo Grande News, o professor Carlos Alberto Rezende, conhecido como Professor Carlão, analisa o comportamento de pais na porta das escolas como um reflexo da educação que está sendo transmitida às crianças. O texto, intitulado “O Sinal vermelho da educação: o que a fila dupla na escola ensina sobre o futuro”, foi publicado em 28 de julho de 2026.

Segundo Rezende, todos os dias, nos horários de entrada e saída das escolas, especialmente nas particulares, repete-se um cenário de caos urbano. Carros param em fila dupla ou tripla, motoristas ocupam faixas inteiras de rolamento, crianças desembarcam pelo lado do trânsito e pais buzinam com impaciência. O objetivo, aponta o autor, é economizar dois minutos de caminhada ou garantir que o filho pare o mais perto possível do portão.

O que parece uma infração de trânsito comum, para Rezende, é na verdade uma aula prática de cidadania. A lição transmitida às crianças, segundo ele, é que o conforto individual está acima das regras e do bem-estar coletivo. Ao desembarcar no meio da rua e ignorar a faixa de pedestres, o adulto passa uma mensagem de exclusivismo. A criança cresce entendendo que é especial demais para andar um quarteirão, que as leis são para os outros e que o espaço público é uma extensão de sua conveniência privada.

O autor afirma que o resultado dessa “pedagogia do privilégio” aparece anos depois. A mesma criança, agora adulta, estaciona sem remorso em vagas reservadas para idosos ou pessoas com deficiência, para em vagas de amamentação “só por um minutinho”, fura filas, joga lixo pela janela do carro e reage com agressividade ao ser contrariada. Para Rezende, esse é o retrato de uma sociedade individualista e sem senso comunitário.

O professor ressalta que muitos pais cobram das escolas uma educação de excelência com valores morais e cívicos, mas se esquecem de que a educação pelo exemplo começa no banco do motorista. Estacionar um pouco mais distante, dar a mão ao filho, caminhar até a escola e atravessar na faixa de pedestres, segundo ele, ensina empatia, respeito às leis, paciência e a noção de que se vive em sociedade.

Rezende conclui que, para ter adultos conscientes e éticos no futuro, é preciso corrigir atitudes no presente. O trânsito na porta da escola, para ele, não é só uma questão de mobilidade urbana, mas o espelho do tipo de ser humano que está sendo criado.

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