11/01/2026
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fogo na patagônia argentina

Um grande incêndio florestal na Patagônia argentina está fora de controle e, até o momento, já consumiu mais de 5.500 hectares de vegetação, uma área equivalente a aproximadamente 7.700 campos de futebol. O incêndio, que começou na cidade turística de Puerto Patriada, localizada a cerca de 1.700 quilômetros a sudoeste de Buenos Aires, tem gerado preocupações significativas entre moradores e autoridades locais. A situação é ainda mais alarmante, considerando que este evento ocorre apenas um ano após os piores incêndios florestais que atingiram a região em três décadas.

A complexidade do combate às chamas é agravada por condições climáticas adversas, como altas temperaturas e ventos fortes, que facilitam a propagação do fogo. O governador da província de Chubut, Ignacio Torres, descreveu a situação como crítica, afirmando que as próximas 48 horas serão cruciais para os esforços de contenção. Até o momento, mais de 3.000 turistas foram evacuados de áreas afetadas, e cerca de 15 famílias na região de Epuyén também receberam ordem para deixar suas casas devido à ameaça do incêndio.

Flavia Broffoni, uma moradora de Epuyén, expressou em suas redes sociais a gravidade da situação, descrevendo-a como um verdadeiro “inferno”. Ela e outros voluntários têm se juntado aos bombeiros profissionais para tentar conter as chamas que cercam a pequena cidade, que possui pouco mais de 2.000 habitantes. Apesar dos esforços conjuntos, o incêndio já destruiu mais de 10 casas, deixando a comunidade em estado de alerta.

As autoridades locais suspeitam que o incêndio possa ter sido iniciado intencionalmente. O procurador responsável pela investigação afirmou que o fogo foi iniciado com um acelerante, o que indica um ato deliberado. Em resposta, o governador anunciou uma recompensa de 50 milhões de pesos (cerca de R$ 184 mil) por informações que possam levar à identificação dos responsáveis.

Além de Chubut, incêndios florestais estão afetando outras províncias da Patagônia, como Neuquén, Santa Cruz e Río Negro, ampliando a gravidade da situação. De acordo com a Agência Federal de Emergências, a região enfrenta um cenário preocupante, com incêndios recorrentes que têm se intensificado nos últimos anos, influenciados pelas mudanças climáticas e pela substituição de florestas nativas por áreas de cultivo de pinheiros.

Os bombeiros, que enfrentam desafios significativos em suas operações, relatam a necessidade de se dividir entre vários empregos, em virtude dos baixos salários decorrentes de cortes orçamentários. Hernán Ñanco, membro da Brigada de Combate a Incêndios Florestais, destacou a pressão mental e física que a equipe enfrenta, afirmando que muitos profissionais têm dificuldade em se manter na profissão devido à falta de suporte financeiro.

As brigadas comunitárias também desempenham um papel essencial no combate ao incêndio. Formadas por moradores que aprenderam a defender suas florestas, essas brigadas dependem de doações e de apoio colaborativo para operar. “Estamos todos sobrecarregados, e o esgotamento tem sido intenso”, afirmaram representantes das brigadas em suas redes sociais, enfatizando a importância da solidariedade e do trabalho em equipe para enfrentar a crise.

Com a situação se desenrolando rapidamente, a comunidade da Patagônia argentina continua a lutar contra as chamas, enquanto os esforços para controlar o incêndio se intensificam. A esperança é que, com a colaboração entre autoridades, bombeiros e cidadãos, a devastação possa ser contida e a região possa se recuperar de mais essa tragédia ambiental.

Sobre o autor: Antônio

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