O presidente colombiano Gustavo Petro revelou, em uma recente entrevista, preocupações significativas sobre a possibilidade de uma operação militar dos Estados Unidos em seu país, mencionando que o ex-presidente Donald Trump deu a entender que estava considerando “fazer coisas ruins na Colômbia”. A conversa entre os dois líderes, que ocorreu na última quarta-feira, foi marcada por tensões, mas também por um tom de cordialidade.
No encontro, que durou uma hora, ambos expressaram satisfação ao final do diálogo. Petro, que se sente ameaçado pelas constantes críticas de Trump — que o rotulou de “viciado”, “bandido” e “traficante de drogas” —, utilizou a conversa como uma oportunidade para esclarecer sua posição e reforçar sua imagem perante o público. “Ele [Trump] faz o que pensa, assim como eu. Ele também é pragmático, embora mais do que eu”, comentou o presidente colombiano, que parece disposto a evitar novos conflitos com o ex-presidente americano.
Petro, que está em seu último ano de mandato, enfrenta uma série de desafios que incluem problemas internos como corrupção e violência. Recentemente, ele declarou uma emergência econômica para lidar com um déficit orçamentário significativo, destacando a fragilidade do clima político e econômico no país. Apesar de sua retórica anti-imperialista, o presidente adotou um tom mais conciliatório, buscando distanciar-se de declarações mais extremas.
Durante a entrevista, Petro também abordou a segurança de sua presidência e a falta de defesas aéreas na Casa de Nariño, ressaltando a dependência da “defesa popular” e a necessidade de resistência popular contra possíveis ameaças. Ele admitiu que a ameaça de uma ação militar dos Estados Unidos era uma preocupação real, embora tenha afirmado que a situação parecia “congelada” após a conversa com Trump.
O presidente colombiano também comentou sobre sua relação com a nova presidente da Venezuela, Delcy Rodríguez, e a pressão que ambos enfrentam para fortalecer a unidade na América Latina. Petro enfatizou que a divisão do povo venezuelano pode levar a uma nova forma de colonização e que é crucial buscar um diálogo político para resolver os conflitos internos.
Além disso, o presidente colombiano criticou a retórica da oposição venezuelana, chamando a atenção para a necessidade de mudanças de postura por parte de figuras como María Corina Machado, líder da oposição. Petro destacou que a solução para a crise na Venezuela deve emergir de um diálogo interno e não ser imposta externamente.
No que diz respeito à sua própria segurança, Petro expressou preocupação, afirmando que a ameaça de uma ação militar não era infundada, especialmente com Trump insinuando planos de operações na Colômbia. O presidente colombiano está ciente de que sua posição política é vulnerável e que a situação pode mudar rapidamente dependendo das dinâmicas de poder internas e externas.
Com apenas oito meses restantes em seu mandato, Petro enfrenta não apenas desafios políticos e sociais, mas também uma crescente pressão internacional. Sua habilidade de navegar por essas complexidades será crucial para a estabilidade da Colômbia nos próximos meses. A trajetória de sua presidência continua a ser marcada por tensões, mas também por uma busca por diálogo e entendimento em um cenário internacional cada vez mais conturbado.
