A Nasa, agência aeroespacial dos Estados Unidos, divulgou recentemente uma imagem impressionante do maior iceberg do mundo, conhecido como A-23A, que se encontra à beira do colapso. A imagem foi capturada em 26 de dezembro e mostra o iceberg localizado no Oceano Atlântico Sul, entre a costa leste do continente sul-americano e a ilha da Geórgia do Sul.
O A-23A se desprendeu da Antártida em 1986, medindo na época cerca de 4 mil km², o que equivale a mais do que o dobro da área da cidade de São Paulo. Desde então, o iceberg passou por um processo significativo de desintegração, reduzindo sua área para aproximadamente 1.181 km², o que é comparável à área da cidade do Rio de Janeiro.
A imagem divulgada pela Nasa revela que as partes restantes do iceberg estão encharcadas, com extensas poças de água azul derretida visíveis em sua superfície. Um astronauta a bordo da Estação Espacial Internacional capturou uma imagem mais próxima no dia seguinte, mostrando poças ainda maiores de água acumulada.
Segundo Ted Scambos, pesquisador sênior da Universidade do Colorado, as áreas azuis observadas são resultado de eventos de desintegração contínuos. “Você tem o peso da água dentro das rachaduras no gelo, forçando-as a se abrirem”, explicou. Além disso, uma fina linha branca ao redor da borda externa do iceberg cria um padrão de “baluarte-fosso”, que é observado à medida que suas bordas derretem na linha d’água.
A imagem do satélite sugere que o iceberg pode ter uma fissura, que pode ser atribuída a um fenômeno descrito pelo cientista aposentado da Universidade de Maryland, Chris Shuman, como uma “explosão”. Nesta situação, o peso da água acumulada no topo do iceberg pode ter criado pressão suficiente para perfurar suas bordas, permitindo que a água derretida se espalhasse pela superfície do oceano.
Os cientistas alertam que os sinais observados indicam que o A-23A pode estar a poucos dias ou semanas de se desintegrar totalmente. “Certamente não espero que o A-23A dure até o fim do verão do hemisfério Sul”, afirmou Shuman. Atualmente, o iceberg se encontra em águas com temperaturas de cerca de 3 graus Celsius e está sendo empurrado por correntes que o direcionam para águas ainda mais quentes, que aceleram sua corrosão.
Ao longo de sua trajetória, o A-23A passou por uma série de eventos inesperados, que contribuíram para a compreensão dos cientistas sobre os megaicebergs. Após ficar encalhado nas águas rasas do Mar de Weddell por mais de 30 anos, o iceberg se soltou em 2020 e passou vários meses em um vórtice oceânico, conhecido como coluna de Taylor. Eventualmente, ele se dirigiu para o norte, quase colidindo com a ilha da Geórgia do Sul, e ficou preso em águas rasas antes de escapar para o oceano aberto, onde começou a se fragmentar rapidamente.
Os cientistas que monitoraram o A-23A expressam um sentimento agridoce em relação à sua iminente extinção. “Estou incrivelmente grato por termos tido os recursos de satélite que nos permitiram acompanhar e documentar sua evolução tão de perto. O A-23A enfrenta o mesmo destino que outros icebergs antárticos, mas seu percurso foi notavelmente longo e cheio de acontecimentos. É difícil acreditar que ele não estará mais conosco por muito tempo”, completou Shuman.
