28/04/2026
Jornal Expresso»Notícias»Impasse entre escola e Caps deixa menina de 11 anos sem aula

Impasse entre escola e Caps deixa menina de 11 anos sem aula

Uma menina de 11 anos, aluna do 4º ano de uma escola municipal de Campo Grande, está sem frequentar as aulas por causa de um impasse entre a unidade de ensino e a rede de saúde mental. O caso foi relatado pela mãe, de 34 anos, pelo canal Direto das Ruas. Ela disse que não sabe mais como lidar com a situação.

Segundo a mãe, a filha apresenta comportamentos impulsivos, como correr pela escola, subir em grades e pular o portão da unidade. Depois de um desses episódios, a escola pediu que a criança não fosse mais levada às aulas até uma nova reunião.

A estudante é acompanhada pelo Caps (Centro de Atenção Psicossocial) infantojuvenil e pelo Cotolengo, com tratamento psiquiátrico e psicológico em andamento. A orientação médica mais recente diz que não há contraindicação para a frequência escolar.

Em atestado emitido no dia 27, a equipe afirma que a permanência na escola é recomendada para o desenvolvimento social e emocional da criança. O documento também destaca que a mãe enfrenta sobrecarga no cuidado e precisa de apoio institucional da escola.

Mesmo assim, segundo a família, a unidade de ensino insiste que a aluna permaneça em casa. “O médico fala que ela precisa ir para a escola. A escola fala que ela tem que ficar em casa. Fica um jogando para o outro”, desabafa a mãe.

Ela afirma que solicitou um professor auxiliar, mas o pedido foi negado pela Prefeitura de Campo Grande sob a justificativa de que o diagnóstico não atende aos critérios exigidos.

Sem apoio, a situação se agravou. A menina já ficou afastada da escola por meses no ano passado. Neste ano, voltou a frequentar as aulas, mas foi afastada novamente após conflitos no ambiente escolar.

A mãe diz que não consegue trabalhar porque precisa ficar com a filha em tempo integral. Em casa, ela instalou grades para evitar que a criança fuja. “Eu não sei mais o que fazer. Estou exausta”, afirma.

A menina foi encaminhada para avaliação neuropsicológica, que deve ajudar a esclarecer o quadro clínico, atualmente descrito como comportamental, com suspeita de TOD (transtorno opositor desafiador).

A reportagem procurou a Prefeitura de Campo Grande para esclarecimentos sobre o caso. O espaço está aberto para manifestação.