Os aposentados e pensionistas do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) que recebem benefícios acima do salário mínimo, que neste ano está fixado em R$ 1.621, aguardam a divulgação do índice de correção de seus benefícios, marcada para esta sexta-feira, dia 9 de janeiro de 2026. Essa atualização é baseada na variação do INPC (Índice Nacional de Preços ao Consumidor) acumulada entre dezembro de 2024 e dezembro de 2025.
É importante ressaltar que, como tem sido a prática nos últimos anos, os beneficiários que recebem acima do salário mínimo não terão um ganho real no reajuste. A correção será feita apenas em conformidade com a inflação, sem qualquer aumento adicional que ultrapasse a alta dos preços.
O índice de correção aplicado para aqueles que recebem benefícios superiores ao piso será inferior ao reajuste de 6,79% concedido para quem recebe o salário mínimo. Isso se deve ao fato de que o piso previdenciário é ajustado de acordo com a inflação medida pelo INPC nos 12 meses anteriores a novembro do ano anterior, além da variação do PIB (Produto Interno Bruto) de dois anos antes, sendo limitado a 2,5% segundo a regra fiscal vigente.
Elimar Mello, advogado especializado em direito previdenciário, destaca que muitos aposentados enfrentam uma cesta de consumo que é pressionada por itens que tendem a ter aumento superior à inflação média, como medicamentos, planos de saúde e serviços de cuidadores. Quando esses custos aumentam além do INPC, o reajuste anual do benefício se torna insuficiente para manter o padrão de vida desejado.
Para lidar com essa realidade, Mello recomenda que os aposentados adotem um planejamento financeiro mais conservador, prevendo gastos com saúde que possam superar a inflação e mantendo uma reserva de emergência maior e mais acessível, devido à incerteza e ao alto custo associado a eventos de saúde na aposentadoria.
Atualmente, cerca de 21,9 milhões de benefícios do INSS são concedidos a quem recebe até um salário mínimo, representando 62,5% do total de 35,15 milhões de benefícios da Previdência Social. O teto do INSS, ou seja, o valor máximo que pode ser pago em benefícios, também sofre reajuste pela variação do INPC.
Os segurados que se aposentaram ou começaram a receber pensão ou auxílio ao longo de 2025 terão uma correção proporcional no primeiro reajuste, que corresponderá à variação do INPC entre o mês em que o benefício foi concedido e o fim do ano, calculando-se a partir do número de meses de concessão.
Os pagamentos para os beneficiários que recebem acima do salário mínimo estão programados para começar no dia 2 de fevereiro. A data de recebimento pode ser verificada pelo número final do cartão de benefício, desconsiderando o último dígito verificador.
Além disso, os aposentados e pensionistas devem estar cientes de que os valores reajustados poderão ter descontos do Imposto de Renda, caso estejam acima do limite de isenção. Mello ressalta que a nova tabela do Imposto de Renda zera a tributação para quem tem renda mensal tributável de até R$ 5.000 e reduz gradualmente para aqueles com renda entre R$ 5.000,01 e R$ 7.350. Os segurados com mais de 65 anos também têm direito a uma cota extra de isenção sobre o valor do benefício.
Com essa atualização no reajuste das aposentadorias, espera-se que os beneficiários se preparem para os impactos financeiros que podem surgir ao longo do ano, especialmente em um cenário de inflação que pode afetar diretamente seu poder de compra.
