O fechamento do Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) em 3,90% para 2025 trouxe preocupações para os aposentados e pensionistas do Instituto Nacional de Seguro Social (INSS) que recebem benefícios superiores ao salário mínimo. Com o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) registrando uma inflação média de 4,26% no mesmo período, o reajuste das aposentadorias ficará abaixo da inflação oficial do país, indicando uma possível perda de poder de compra para esses segurados.
O INPC, que é utilizado para corrigir os benefícios pagos acima do piso nacional, apresenta um cenário desafiador. O reajuste do teto da Previdência Social, que deverá passar de R$ 8.157,41 para R$ 8.474,55 em 2026, ainda depende da publicação de uma portaria oficial no Diário Oficial da União. Enquanto isso, os segurados que recebem um salário mínimo terão um ajuste automático que seguirá a atualização do piso nacional, que foi fixado em R$ 1.621 a partir de 1º de janeiro.
O INPC apresentou uma variação de 0,21% em dezembro de 2025, um aumento comparado aos 0,03% registrados em novembro. No entanto, essa taxa foi inferior aos 0,48% observados no mesmo mês do ano anterior. No acumulado do ano, o INPC avançou 3,90%, um resultado 0,87 ponto percentual abaixo dos 4,77% de 2024.
Em termos de categorias, os produtos alimentícios tiveram um aumento de 2,63% ao longo do ano, enquanto os itens não alimentícios subiram 4,32%. Essa disparidade nas variações de preços pode impactar de forma significativa o orçamento das famílias, especialmente aquelas que dependem de aposentadorias e pensões para sua subsistência.
O INPC é calculado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e é o índice oficial utilizado para reajuste das aposentadorias desde 2003. Antes disso, diversos índices foram aplicados, o que gerava incertezas quanto à correção dos benefícios. O INPC abrange famílias com rendimento de 1 a 5 salários mínimos e considera dez regiões metropolitanas, além de Goiânia, Campo Grande e Brasília. Por outro lado, o IPCA, que é considerado a inflação oficial do Brasil, abrange famílias com rendimentos de 1 a 40 salários mínimos.
Além das questões de reajuste, as mudanças nas regras de aposentadoria estabelecidas pela reforma da Previdência, aprovada em novembro de 2019, também geram preocupação entre os segurados. Com novas alterações programadas para 2026, a idade mínima para aposentadoria aumentará em seis meses, passando para 59 anos e seis meses para mulheres e 64 anos e seis meses para homens. As regras de transição também preveem ajustes anuais até 2031, o que pode afetar os planos de muitos trabalhadores que já contribuíam para o INSS.
Em um cenário econômico desafiador, é fundamental que aposentados e pensionistas estejam cientes das mudanças e do impacto que os reajustes terão em suas finanças pessoais. A combinação de uma inflação superior ao reajuste das aposentadorias e as novas regras de aposentadoria pode exigir uma reavaliação dos planos financeiros e da segurança econômica a longo prazo.
