Na manhã desta sexta-feira, 9 de janeiro de 2026, os mercados financeiros e os analistas econômicos voltam suas atenções para a divulgação do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que é o principal indicador da inflação no Brasil. A expectativa é de que os dados de dezembro mostrem um aumento mensal de 0,35% e um crescimento anual de 4,30%, o que está abaixo do teto previsto por economistas e sinaliza uma desaceleração no ritmo de alta dos preços.
Além do IPCA, outro evento significativo no calendário econômico é a publicação do relatório de empregos não agrícolas (payroll) nos Estados Unidos. A previsão para este relatório é de que sejam criadas 60 mil vagas de trabalho e que a taxa de desemprego caia para 4,5%, em comparação aos 4,6% registrados em novembro. Esses dados são cruciais, pois influenciam diretamente a política monetária do Federal Reserve (Fed), que poderá considerar cortes nas taxas de juros ao longo de 2026.
Impactos no Mercado
No cenário brasileiro, o índice Ibovespa conseguiu retomar a linha dos 162 mil pontos após uma correção, fechando a quinta-feira em alta de 0,59%, com 162.936,48 pontos. Este desempenho positivo representa um ganho de 1,49% na semana e de 1,12% no mês e no ano. Os investidores aguardam ansiosamente os dados do IPCA, que podem influenciar as expectativas de inflação e, consequentemente, a atuação do Banco Central.
Enquanto isso, a discussão sobre as tarifas globais impostas pelo governo de Donald Trump nos EUA continua a gerar incertezas. A Suprema Corte norte-americana está prestes a decidir sobre a legalidade dessas tarifas, que podem afetar acordos comerciais firmados no passado e que envolvem cerca de US$ 150 bilhões em potenciais reembolsos.
Acordo UE-Mercosul
Na esfera internacional, um dos tópicos que promete movimentar as discussões é o futuro do acordo comercial entre a União Europeia e o Mercosul. O presidente francês, Emmanuel Macron, anunciou que a França votará contra a assinatura do acordo, refletindo uma rejeição política unânime no país. Esta posição foi reforçada por outros membros da UE, como Hungria e Irlanda, que também expressaram preocupações sobre os impactos do acordo sobre seus produtores rurais.
A decisão sobre este acordo será debatida em uma reunião do Conselho da UE, que poderá definir o rumo das relações comerciais entre os blocos. A posição da Alemanha e da Itália será crucial para determinar se o acordo conseguirá avançar, dado que essas nações têm a capacidade de influenciar a coesão dos votos a favor do livre comércio.
Contexto Político e Social
No Brasil, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva terá uma agenda cheia ao longo do dia, com reuniões programadas com ministros e assessores. A política interna também está em pauta, com a recente decisão do presidente de vetar integralmente o PL da Dosimetria, que será analisado pelo Congresso Nacional. Para derrubar esse veto, serão necessários 257 votos na Câmara e 41 no Senado, uma tarefa que pode se mostrar desafiadora.
Com um cenário econômico e político onde a inflação, o emprego e acordos comerciais se entrelaçam, as próximas horas serão decisivas para investidores e analistas. O resultado do IPCA e do payroll poderá moldar as expectativas para os meses seguintes, enquanto as discussões sobre tarifas e acordos internacionais continuam a influenciar o clima de incerteza nos mercados.
