Na manhã desta sexta-feira, dia 9 de janeiro de 2026, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgará o Índice de Preços ao Consumidor-Amplo (IPCA) referente ao mês de dezembro e ao acumulado do ano de 2025. O IPCA é considerado o indicador oficial da inflação no Brasil e é amplamente utilizado para medir a variação dos preços ao consumidor.
Até novembro de 2025, a inflação acumulada em 12 meses apresentou um leve recuo, atingindo 4,46%. Esse resultado é significativo, pois representa a primeira vez desde setembro de 2024 que o índice ficou abaixo do teto da meta contínua de 3% — que considera uma margem de variação de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos.
De acordo com o Boletim Focus, uma pesquisa realizada pelo Banco Central com instituições financeiras, a expectativa do mercado é de que a inflação de 2025 tenha encerrado com alta de 4,31%. Apesar de ter apresentado uma desaceleração, a inflação ainda se mantém acima do centro da meta estabelecida.
O Banco Daycoval, em seu relatório, ressalta que, apesar das recentes surpresas benignas relacionadas à inflação, a expectativa é de que o ciclo de cortes na taxa Selic, atualmente em 12%, não comece antes de março de 2026. Essa taxa é um dos principais instrumentos de política monetária do governo para controlar a inflação.
Luciano Costa, economista-chefe da Monte Bravo, também se mostrou otimista em relação ao cenário inflacionário. Ele projeta que o IPCA deve se manter em um quadro favorável, com expectativa de um índice de 4,30% para 2025. Segundo Costa, a inflação de dezembro deve registrar um aumento de 0,40%, impulsionada por fatores sazonais, como a alta de alimentos, a reversão da deflação em bens após a Black Friday e o aumento nos preços das passagens aéreas e do combustível.
Para o ano de 2026, a projeção atual do mercado é de uma inflação de 4,06%, que também ficaria abaixo do teto da meta. Caso as previsões se confirmem, 2025 será lembrado como o ano com a menor inflação anual desde 2019, conforme mostram os números dos últimos anos:
- 2019: 4,31%
- 2020: 4,52%
- 2021: 10,06%
- 2022: 5,79%
- 2023: 4,62%
- 2024: 4,83%
Desde 2020, o IPCA fechou acima do teto da meta em três ocasiões, evidenciando os desafios enfrentados pela economia brasileira em relação ao controle da inflação. Em comparação, nos anos anteriores, o índice variou consideravelmente, com picos como o de 10,06% em 2021 e quedas significativas.
O cenário inflacionário, portanto, continua sendo um tema de relevância para economistas e para a população em geral, especialmente em um contexto de recuperação econômica e de expectativas sobre as políticas monetárias que o governo deve adotar para manter a inflação sob controle.
