O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), considerado a inflação oficial do país, registrou alta de 0,88% em março. Os dados foram divulgados nesta sexta-feira, 10 de abril de 2026, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Nos últimos 12 meses, a taxa acumulada ficou em 4,14%.
A expectativa dos economistas consultados pelo mercado era de um avanço de 0,7% no mês e uma inflação acumulada de 4% no ano. Em março de 2025, a variação havia sido de 0,56%.
O índice permanece dentro do intervalo de tolerância da meta de inflação definida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). Para 2026, a meta é de IPCA em 3%, com limite máximo de 4,5%. Desde o ano passado, essa meta passou a ser contínua, com o cumprimento sendo acompanhado mês a mês com base na inflação acumulada em 12 meses.
Os principais destaques do índice de março foram os grupos Transportes e Alimentação e bebidas. O grupo Transportes registrou alta de 1,64% e respondeu por 0,34 ponto percentual do IPCA do mês. O grupo Alimentação e bebidas subiu 1,56%, com impacto de 0,33 ponto percentual.
Juntos, esses dois grupos concentraram 76% da inflação registrada em março. A lista completa de variações por grupo é a seguinte: Alimentação e bebida (1,56%); Habitação (0,22%); Artigos de residência (0,51%); Vestuário (0,46%); Transportes (1,64%); Saúde e cuidados pessoais (0,42%); Despesas pessoais (0,65%); Educação (0,02%); Comunicação (0,19%).
Os preços do grupo Transportes aceleraram em março. A alta passou de 0,74% em fevereiro para 1,64%, puxada principalmente pelo aumento dos combustíveis, que subiram 4,47% no período. A gasolina teve papel central: depois de cair 0,61% em fevereiro, o preço subiu 4,59% em março e foi o item que mais pressionou a inflação do mês, com impacto de 0,23 ponto percentual.
O óleo diesel também registrou forte alta, passando de 0,23% em fevereiro para 13,90% em março, com impacto de 0,03 ponto percentual. O etanol subiu 0,93%, enquanto o gás veicular teve queda de 0,98%.
Diante da pressão exercida pelos combustíveis sobre a inflação, o governo federal anunciou nesta semana um pacote de medidas para tentar conter a alta dos preços. Segundo o ministro do Planejamento, Bruno Moretti, o custo total das ações será de R$ 30,5 bilhões.
Entre os serviços de transporte, as passagens aéreas continuaram em alta, mas com ritmo menor: o aumento desacelerou de 11,4% em fevereiro para 6,08% em março. As tarifas de ônibus urbano tiveram alta de 1,17%, refletindo reajustes em algumas cidades e mudanças nas regras de gratuidade ou descontos. Outros serviços registraram variações mais moderadas: táxi (0,26%), metrô (0,67%) e ônibus intermunicipal (0,22%).
O grupo Alimentação e bebidas registrou forte alta em março. A variação passou de 0,26% em fevereiro para 1,56%. Grande parte desse avanço veio dos alimentos consumidos em casa, que subiram 1,94%, após alta de 0,23% no mês anterior. Alguns produtos tiveram aumentos expressivos, como tomate (20,31%), cebola (17,25%) e batata-inglesa (12,17%).
Outro grupo que apresentou alta relevante foi o de Despesas pessoais, com avanço de 0,65%. O resultado foi influenciado principalmente pelo aumento nos preços de ingressos para cinema, teatro e concertos, que subiram 3,95% após o fim da “Semana do Cinema”, realizada em fevereiro. No grupo Saúde e cuidados pessoais, os preços subiram 0,42%, com destaque para os planos de saúde, que tiveram alta de 0,49%.
