O líder do Partido dos Trabalhadores, Lindbergh Farias, que atua na Câmara dos Deputados, admitiu a existência de uma “crise de confiança” entre o governo de Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente da Câmara, Hugo Motta, do partido Republicanos, após a votação do Projeto de Lei Antifacção.
Durante seu discurso, Lindbergh reconheceu que o presidente Lula expressou descontentamento com a situação, especialmente porque se trata de uma proposta que partiu do Poder Executivo. Ele enfatizou que incidentes como esse não são novos dentro do cenário político.
Na terça-feira, 18 de outubro, o plenário da Câmara dos Deputados aprovou o projeto na forma de um substitutivo apresentado pelo relator Guilherme Derrite, do Progressistas. A votação resultou em 370 votos a favor e 110 contrários, configurando uma derrota para o governo Lula.
Lindbergh comparou o atual desenrolar da situação com a crise ocorrida quando foi derrubada uma medida provisória relacionada ao reajuste das alíquotas do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF). Ele observou que, assim como agora, a proposta anterior foi analisada em um plenário com poucos deputados presentes, tornando a discussão menos produtiva.
A escolha de Derrite como relator e seu comportamento durante o processo geraram insatisfação no governo. As divergências em torno do projeto entre oposição e governo foram tão intensas que resultaram em sei versões do relatório apresentadas pelo relator.
Acusações foram levantadas contra Derrite, que é secretário licenciado de Segurança Pública do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas. Críticos afirmaram que suas alterações no texto da proposta poderiam comprometer a autonomia da Polícia Federal e ameaçar a soberania nacional.
Durante a sessão na Câmara, Derrite justificou sua ausência em uma reunião com os ministros Ricardo Lewandowski, da Justiça e Segurança Pública, e Gleisi Hoffmann, das Relações Institucionais, afirmando que o governo teve mais de quinze dias para debater o texto, mas não fez contato com ele.
