14/01/2026
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Meloni em missão global: de Muscat a Tóquio e Seul

A visão de Carlo Pelanda, economista e saggista italiano, sobre a atual postura internacional da Itália revela um cenário otimista para o futuro do país no contexto global. Segundo Pelanda, a administração da primeira-ministra Giorgia Meloni está adotando uma estratégia que combina a atuação nacional como um “multiplicador de forças” com uma presença ativa em regiões cruciais como o Indo-Pacífico e o Golfo Pérsico.

No dia em que Meloni inicia três missões estratégicas em Oman, Japão e Coreia do Sul, Pelanda destaca a importância dessas ações para reforçar a competitividade do país em um mundo em constante transformação. Para ele, a Itália deve buscar um modelo de “Itália global”, que se alinha a uma política externa voltada para o aumento das exportações e parcerias estratégicas, especialmente considerando as limitações do consumo interno.

A Nova Postura da Itália nas Relações Internacionais

Pelanda enfatiza que a Itália não está começando do zero, uma vez que seu modelo econômico sempre teve uma perspectiva global. No entanto, a abordagem se tornou uma estratégia consolidada, especialmente com foco em acordos bilaterais que favoreçam tanto grandes empresas quanto pequenas e médias. A visita a Oman, por exemplo, é vista como uma oportunidade para fortalecer laços econômicos em uma região marcada por instabilidades, mas que apresenta um potencial significativo.

A missão ao Japão assume um papel crucial para aprofundar a colaboração industrial entre os dois países, enquanto a Coreia do Sul, embora não tenha uma agenda prioritária clara, integra o esforço da Itália em diversificar suas parcerias globais. Pelanda argumenta que o fortalecimento das relações com esses países é fundamental para a inserção da Itália em mercados estratégicos.

A Relevância do Indo-Pacífico e os Desafios Geopolíticos

Com o crescente interesse pela região do Indo-Pacífico, Pelanda explica que a Itália está posicionando-se para aproveitar novas oportunidades, especialmente em um cenário onde o Irã, historicamente visto como uma ameaça, está em uma fase de diminuição de poder. A instabilidade no Oriente Médio e as movimentações de potências como Turquia e Israel indicam que a Itália precisa agir rapidamente para garantir uma posição favorável.

Além disso, a interconexão entre o Mediterrâneo e o Indo-Pacífico é vital, pois pode criar um mercado mais robusto e competitivo. Pelanda sugere que a estabilização das rotas comerciais, especialmente no Mar Vermelho, pode beneficiar diretamente o comércio mediterrâneo, e isso requer uma abordagem colaborativa entre diversos países.

O Futuro da Colaboração Internacional e os Desafios Internos

As relações com o Japão foram elevadas a um patamar de parceria estratégica, com iniciativas como a Expo de Osaka reforçando esse laço. Pelanda sugere que o próximo passo deve incluir uma maior colaboração em setores como investimentos financeiros e segurança, considerando a necessidade de ambos os países de demonstrar capacidade em um ambiente global em transformação.

No que diz respeito à Coreia do Sul, Pelanda observa que, embora o país seja um mercado importante para as exportações italianas, a prioridade deve ser o Japão, dada a necessidade de uma aproximação mais profunda. A competitividade das relações entre Itália e Coreia do Sul, especialmente em setores como semicondutores, pode ser um fator decisivo no futuro industrial italiano.

Por fim, Pelanda conclui que, apesar dos desafios, a Itália tem a oportunidade de se firmar como um ator relevante no cenário internacional. A combinação de uma política externa dinâmica e uma forte aliança com a União Europeia e os Estados Unidos pode resultar em um impacto econômico significativo para o país. O economista expressa esperança de que o governo Meloni mantenha essa postura proativa, essencial para o fortalecimento da riqueza nacional e da presença italiana nos assuntos globais.

Sobre o autor: Antônio

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