Mato Grosso do Sul registrou queda nos homicídios de crianças e adolescentes na última década, mas os jovens de 15 a 19 anos continuam sendo as principais vítimas da violência letal no Estado. Os dados são do Atlas da Violência 2026, divulgado nesta terça-feira (26) pelo Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) e pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública.
O levantamento mostra que os índices caíram em todas as faixas etárias analisadas. No entanto, a violência entre adolescentes ainda é marcada pelo uso de armas de fogo e pela concentração dos crimes em dinâmicas de violência urbana.
Entre adolescentes de 15 a 19 anos, Mato Grosso do Sul registrou 652 homicídios entre 2014 e 2024. Em 2014, foram 109 mortes. Em 2024, o número caiu para 35, uma redução de 67,9%. Na comparação entre 2023 e 2024, os casos passaram de 43 para 35, retração de 18,6%. A taxa de homicídios por 100 mil habitantes caiu de 48,5 para 16,3 no período, redução de 66,4%.
Apesar da queda, os adolescentes seguem concentrando a maior parte das mortes violentas. Em todo o país, 84,1% dos homicídios de adolescentes de 15 a 19 anos ocorreram com armas de fogo. O estudo aponta que esse padrão reforça a necessidade de políticas públicas voltadas ao controle de armas e à prevenção da violência entre jovens.
Entre crianças de 0 a 4 anos, Mato Grosso do Sul registrou 40 homicídios entre 2014 e 2024. O número caiu de oito casos, em 2014, para dois em 2024, redução de 75%. A taxa de mortalidade por 100 mil habitantes passou de 3,8 para 1 no período.
Na faixa de 5 a 14 anos, foram 70 homicídios em dez anos no Estado. Os casos diminuíram de 19, em 2014, para quatro em 2024, retração de 78,9%. A taxa de homicídios nessa faixa etária caiu de 4 para 0,9 por 100 mil habitantes.
Os resultados de Mato Grosso do Sul ficaram acima da média nacional na redução dos homicídios infantis. No Brasil, as mortes de crianças de 0 a 4 anos caíram 14,8% entre 2014 e 2024. Entre crianças e adolescentes de 5 a 14 anos, a redução foi de 63,2%. Já entre adolescentes de 15 a 19 anos, a retração nacional foi de 55,8%.
Mesmo com a melhora, o Atlas da Violência alerta que o problema continua grave. Em 2024, cerca de 14 crianças e adolescentes de até 19 anos foram assassinados por dia no país.
O estudo também chama atenção para as diferenças nos contextos de violência conforme a idade. Entre crianças pequenas, há menor predominância de armas de fogo e maior diversidade nos meios de agressão, incluindo instrumentos contundentes e casos classificados como meios desconhecidos.
Segundo o Atlas, esse perfil aponta para a necessidade de estratégias específicas de proteção no ambiente doméstico, prevenção de maus-tratos e identificação precoce de situações de risco. O levantamento destaca que os serviços de saúde e as escolas têm papel central na identificação de sinais de negligência e violência contra crianças e adolescentes.
A recomendação é que estados e municípios atuem de forma integrada, com protocolos unificados entre saúde, educação, assistência social, segurança pública e sistema de justiça. Para os pesquisadores, a ausência de articulação entre os serviços pode atrasar o reconhecimento de situações de risco e comprometer a proteção das vítimas.
