26/05/2026
Jornal Expresso»Notícias»MS reduz homicídios de crianças, mas violência persiste entre adolescentes

MS reduz homicídios de crianças, mas violência persiste entre adolescentes

Mato Grosso do Sul registrou queda nos homicídios de crianças e adolescentes na última década, mas os jovens de 15 a 19 anos continuam sendo as principais vítimas da violência letal no Estado. Os dados são do Atlas da Violência 2026, divulgado nesta terça-feira (26) pelo Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) e pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública.

O levantamento mostra que os índices caíram em todas as faixas etárias analisadas. No entanto, a violência entre adolescentes ainda é marcada pelo uso de armas de fogo e pela concentração dos crimes em dinâmicas de violência urbana.

Entre adolescentes de 15 a 19 anos, Mato Grosso do Sul registrou 652 homicídios entre 2014 e 2024. Em 2014, foram 109 mortes. Em 2024, o número caiu para 35, uma redução de 67,9%. Na comparação entre 2023 e 2024, os casos passaram de 43 para 35, retração de 18,6%. A taxa de homicídios por 100 mil habitantes caiu de 48,5 para 16,3 no período, redução de 66,4%.

Apesar da queda, os adolescentes seguem concentrando a maior parte das mortes violentas. Em todo o país, 84,1% dos homicídios de adolescentes de 15 a 19 anos ocorreram com armas de fogo. O estudo aponta que esse padrão reforça a necessidade de políticas públicas voltadas ao controle de armas e à prevenção da violência entre jovens.

Entre crianças de 0 a 4 anos, Mato Grosso do Sul registrou 40 homicídios entre 2014 e 2024. O número caiu de oito casos, em 2014, para dois em 2024, redução de 75%. A taxa de mortalidade por 100 mil habitantes passou de 3,8 para 1 no período.

Na faixa de 5 a 14 anos, foram 70 homicídios em dez anos no Estado. Os casos diminuíram de 19, em 2014, para quatro em 2024, retração de 78,9%. A taxa de homicídios nessa faixa etária caiu de 4 para 0,9 por 100 mil habitantes.

Os resultados de Mato Grosso do Sul ficaram acima da média nacional na redução dos homicídios infantis. No Brasil, as mortes de crianças de 0 a 4 anos caíram 14,8% entre 2014 e 2024. Entre crianças e adolescentes de 5 a 14 anos, a redução foi de 63,2%. Já entre adolescentes de 15 a 19 anos, a retração nacional foi de 55,8%.

Mesmo com a melhora, o Atlas da Violência alerta que o problema continua grave. Em 2024, cerca de 14 crianças e adolescentes de até 19 anos foram assassinados por dia no país.

O estudo também chama atenção para as diferenças nos contextos de violência conforme a idade. Entre crianças pequenas, há menor predominância de armas de fogo e maior diversidade nos meios de agressão, incluindo instrumentos contundentes e casos classificados como meios desconhecidos.

Segundo o Atlas, esse perfil aponta para a necessidade de estratégias específicas de proteção no ambiente doméstico, prevenção de maus-tratos e identificação precoce de situações de risco. O levantamento destaca que os serviços de saúde e as escolas têm papel central na identificação de sinais de negligência e violência contra crianças e adolescentes.

A recomendação é que estados e municípios atuem de forma integrada, com protocolos unificados entre saúde, educação, assistência social, segurança pública e sistema de justiça. Para os pesquisadores, a ausência de articulação entre os serviços pode atrasar o reconhecimento de situações de risco e comprometer a proteção das vítimas.