11/01/2026

nigeria

Em uma recente entrevista ao New York Times, o ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, fez declarações alarmantes sobre a situação dos cristãos na Nigéria, sugerindo que poderia ordenar mais ataques aéreos no país se os assassinatos de cristãos continuarem. A entrevista, publicada na última quinta-feira, trouxe à tona as tensões religiosas e as complexidades do cenário de segurança na Nigéria, um dos países mais populosos da África.

Trump, que no ano passado classificou a Nigéria como um “país de preocupação particular” devido ao que chamou de “ameaça existencial” à população cristã, afirmou que os ataques aéreos realizados no dia de Natal em Sokoto, no norte da Nigéria, poderiam ser parte de uma campanha militar mais ampla. “Eu adoraria que fosse um ataque único. Mas se continuarem a matar cristãos, será um ataque repetido”, disse Trump.

A reação do governo nigeriano foi de rejeição às acusações do ex-presidente. O porta-voz do ministro das Relações Exteriores da Nigéria, Alkasim Abdulkadir, declarou que o governo nigeriano está comprometido em proteger todos os cidadãos, independentemente da fé, e que os ataques de jihadistas afetam tanto muçulmanos quanto cristãos. Abdulkadir enfatizou a importância de um engajamento construtivo com os parceiros internacionais, incluindo os Estados Unidos, que respeitem a soberania nigeriana.

A Nigéria, com uma população de mais de 230 milhões de pessoas, é predominantemente cristã no sul e muçulmana no norte. No entanto, a narrativa de um genocídio contra os cristãos, que ganhou força em certos círculos políticos nos EUA, é contestada por organizações que monitoram a violência política no país, as quais afirmam que a maioria das vítimas dos grupos jihadistas são muçulmanos.

Nos últimos 15 anos, o nordeste da Nigéria tem enfrentado uma insurgência devastadora promovida por grupos jihadistas, como o Boko Haram e facções ligadas ao Estado Islâmico. Além da insurgência islâmica, o país lida com uma série de problemas de segurança complexos, incluindo sequestros por grupos criminosos e conflitos territoriais.

Os ataques aéreos de Natal, que atingiram acampamentos do grupo jihadista Lakurawa, ocorreram em um contexto de crescente violência na região. A situação é ainda mais complicada pela presença de grupos jihadistas no Sahel, que têm estabelecido laços com organizações terroristas na Nigéria.

Após os ataques, o ministro das Relações Exteriores da Nigéria, Yusuf Maitama Tuggar, descreveu a operação como um esforço conjunto e negou que estivesse relacionada a questões religiosas, embora Trump tenha caracterizado os ataques como um “presente de Natal”. Tuggar ressaltou que a operação recebeu a aprovação explícita do presidente nigeriano, Bola Tinubu, e contou com a participação das forças armadas do país.

O cenário de segurança na Nigéria é complexo e multifacetado, refletindo não apenas a luta contra o extremismo islâmico, mas também as tensões inter-religiosas e os desafios enfrentados pelo governo em garantir a segurança de todos os cidadãos. À medida que a comunidade internacional observa, as declarações de figuras como Trump podem influenciar a percepção global sobre a situação no país, mas é crucial que a narrativa seja apoiada por fatos e uma compreensão mais profunda da realidade nigeriana.

Sobre o autor: Antônio

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