09/01/2026
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Na última quarta-feira (7), o ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou a retirada do país de 66 organizações internacionais, incluindo o Fundo da ONU para a Democracia (UNDEF) e o Instituto Internacional para a Democracia e a Assistência Eleitoral (IDEA Internacional). Essa decisão tem implicações significativas, especialmente para o Brasil, que foi beneficiado por mais de US$ 2 milhões em projetos financiados por essas instituições.

A Casa Branca justificou a retirada afirmando que essas organizações “operam contrariamente aos interesses nacionais dos EUA”. O Brasil, que é membro do IDEA Internacional, recebeu apoio desse organismo durante as eleições de 2022, onde atuou como observador. O instituto elogiou o funcionamento do sistema eletrônico de votação brasileiro, destacando a imparcialidade e eficiência da Justiça Eleitoral no processo eleitoral.

Essa defesa do sistema eleitoral brasileiro foi feita em um contexto de contestações por parte do PL, partido do então presidente Jair Bolsonaro, que questionou a confiabilidade das urnas eletrônicas após a derrota para Luiz Inácio Lula da Silva. As alegações de fraude eleitoral culminaram em tentativas de deslegitimação dos resultados, que foram posteriormente analisadas pelo Supremo Tribunal Federal, resultando na condenação de Bolsonaro por participação em uma trama golpista.

Trump, que se mostrou solidário a Bolsonaro ao longo do processo, apontou para “graves violações dos direitos humanos” no Brasil como justificativa para suas políticas, que incluem tarifas sobre produtos brasileiros. Este contexto político ilustra as relações complexas entre os líderes dos dois países e como isso pode influenciar a cooperação internacional.

Impactos da Retirada

O Fundo da ONU para a Democracia, que foi um dos organismos mais afetados pela decisão de Trump, financiou diversas iniciativas no Brasil. Entre elas, estão projetos voltados para o fortalecimento da governança climática e ações de direitos humanos, totalizando aproximadamente US$ 1,9 milhão. Um dos projetos destacados é o “Democracia Deliberativa e Assembleias Cidadãs para Combater a Desigualdade e a Pobreza”, que busca promover a participação cidadã em questões sociais e econômicas.

Além disso, o Centro de Comércio Internacional (ITC), que também se beneficiou da colaboração dos EUA, trabalha para aumentar a participação de mulheres no comércio internacional. O programa SheTrades, por exemplo, tem como objetivo capacitar mulheres e facilitar seu acesso a mercados, um passo importante em um país onde apenas 14% das empresas exportadoras possuem conselhos majoritariamente formados por mulheres.

Outro projeto relevante é o da Plataforma Intergovernamental de Políticas Científicas sobre Biodiversidade e Serviços Ecossistêmicos (IPBES), que contribui para a conservação ambiental no Brasil. A retirada dos EUA dessas organizações internacionais pode impactar negativamente essas iniciativas, que dependem do apoio financeiro e técnico oferecido por instituições como a ONU.

Conclusão

A decisão de Donald Trump de retirar os Estados Unidos de importantes organizações internacionais, como o UNDEF e o IDEA Internacional, gera preocupações sobre o futuro da cooperação internacional e o financiamento de projetos que promovem a democracia e os direitos humanos no Brasil. A mudança de política pode resultar em uma diminuição do apoio a iniciativas que têm sido cruciais para o fortalecimento da sociedade civil e da governança no país. A longo prazo, essa postura pode influenciar não apenas as relações entre Brasil e EUA, mas também o papel do Brasil na comunidade internacional.

Sobre o autor: Antônio

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