06/03/2026
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novo medicamento alzheimer anvisa

A aprovação de um novo medicamento para o tratamento do Alzheimer pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) no Brasil trouxe esperança para pacientes diagnosticados nos estágios iniciais da doença. Em 22 de dezembro de 2025, a agência autorizou o uso do lecanemabe, um anticorpo monoclonal desenvolvido pelo laboratório japonês Eisai. Este medicamento se junta ao donanemabe, que já havia sido aprovado em abril do mesmo ano.

Ambos os fármacos têm como alvo as proteínas amiloides no cérebro, responsáveis pela formação de placas que afetam a memória. No entanto, o lecanemabe apresenta um mecanismo de ação diferenciado. Segundo o neurologista Wyllians Borelli, coordenador de pesquisa do Centro de Memória do Hospital Moinhos de Vento, o novo medicamento foca principalmente nas protofibrilas de amiloide, que são intermediárias na formação das placas e têm um impacto mais nocivo nas sinapses neuronais.

De acordo com Borelli, as protofibrilas podem prejudicar a comunicação entre os neurônios, comprometendo a função cognitiva. Ao eliminar essas estruturas precursoras, o lecanemabe oferece o potencial de interromper o avanço do Alzheimer em seus estágios iniciais. Entretanto, o neurologista ressalta que ainda não há comprovação científica robusta que valide essa eficácia.

Um dos pontos positivos do lecanemabe é que ele apresenta um risco menor de causar hemorragias cerebrais, uma preocupação comum em tratamentos que atuam contra as placas de amiloide. Em comparação com o donanemabe, o lecanemabe tem uma incidência reduzida de ARIA, que se refere a anormalidades de imagem relacionadas ao amiloide, que podem resultar em inchaços ou sangramentos no cérebro.

Apesar das vantagens, o novo tratamento tem suas desvantagens. O uso contínuo do lecanemabe implica em infusões a cada duas semanas, o que pode ser um desafio logístico e financeiro para os pacientes, pois o custo estimado pode chegar a 50 mil reais mensais. Isso contrasta com o donanemabe, que requer infusões mensais e possui um tratamento limitado a 12 ou 18 meses.

Outro aspecto relevante é que a doença de Alzheimer não é sinônimo de demência. Muitas pessoas podem apresentar placas de amiloide sem apresentar sintomas significativos. O diagnóstico precoce é essencial para a eficácia dos tratamentos, mas apenas 8% dos indivíduos nos estágios iniciais conseguem receber o diagnóstico correto. A detecção precoce permite intervenções que podem retardar a progressão da doença.

A busca por tratamentos que impeçam a progressão do Alzheimer está em alta na comunidade científica. O lecanemabe, embora não cure a doença, oferece uma nova abordagem que pode ajudar a controlar sua evolução, semelhante ao que ocorre com medicamentos para hipertensão e colesterol. No entanto, a conscientização sobre a importância do diagnóstico precoce e a promoção de um estilo de vida saudável continuam sendo fundamentais na luta contra essa condição neurodegenerativa.