07/02/2026
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novo medicamento alzheimer

No último dia 22 de dezembro de 2025, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou o uso do lecanemabe, um novo medicamento para o tratamento do Alzheimer em estágios iniciais. Essa aprovação se dá apenas oito meses após a liberação do donanemabe, o primeiro remédio desse tipo autorizado no Brasil. Ambas as medicações pertencem à classe dos anticorpos monoclonais e têm como alvo as proteínas amiloides que se acumulam no cérebro, formando placas que comprometem a memória e outras funções cognitivas.

O lecanemabe se destaca por seu mecanismo de ação, que se concentra principalmente nas protofibrilas de amiloide, estruturas que precedem a formação das placas. Segundo o neurologista Wyllians Borelli, coordenador de pesquisa do Centro de Memória do Hospital Moinhos de Vento, essas protofibrilas são mais tóxicas para os neurônios do que as placas em si, pois podem danificar a comunicação entre os neurônios. “Ao limpar essas precursoras das placas, o lecanemabe pode ter um maior potencial de interromper o avanço da doença”, explica Borelli.

Um dos pontos positivos do lecanemabe em relação ao donanemabe é o menor risco de complicações relacionadas a anormalidades de imagem vinculadas ao amiloide (ARIA), como hemorragias e inchaços cerebrais. O novo medicamento apresenta uma taxa reduzida de sangramentos, o que é um fator importante a ser considerado na escolha do tratamento. No entanto, o uso contínuo do lecanemabe, que requer infusões a cada duas semanas, levanta questões sobre a adesão dos pacientes ao tratamento a longo prazo.

O neurologista Borelli também aponta que, apesar de o lecanemabe não curar o Alzheimer, ele pode oferecer uma forma de controlar a progressão da doença. O tratamento deve ser iniciado em fases iniciais, quando o paciente ainda apresenta leves falhas cognitivas, antes que a demência se instale de forma mais severa. Contudo, a detecção precoce do Alzheimer continua sendo um desafio, com apenas 8% das pessoas nos estágios iniciais recebendo um diagnóstico adequado.

Com o envelhecimento da população e o aumento da incidência de doenças neurodegenerativas, a aprovação de novos medicamentos como o lecanemabe é um passo importante na luta contra o Alzheimer. Entretanto, questões como o custo elevado do tratamento, estimado em cerca de 50 mil reais por mês, e a necessidade de um acompanhamento rigoroso, podem limitar o acesso ao novo fármaco para muitos pacientes.

Enquanto a ciência avança em busca de soluções para a doença de Alzheimer, é essencial que a sociedade compreenda que a condição não é sinônimo de demência. Muitas pessoas com Alzheimer conseguem levar uma vida independente por anos antes de apresentarem sintomas mais graves. Por isso, é crucial que se promova a conscientização sobre a importância da detecção precoce e das intervenções que podem ajudar a retardar a progressão da doença.

Em resumo, a chegada do lecanemabe representa uma nova esperança no tratamento do Alzheimer, especialmente para aqueles diagnosticados em estágios iniciais. Embora ainda haja muitas perguntas sem resposta sobre a eficácia a longo prazo do medicamento, sua aprovação marca um avanço significativo na busca por alternativas que possam melhorar a qualidade de vida dos pacientes e suas famílias.