26/05/2026
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Onça-pintada guia projeto-piloto de créditos de biodiversidade

A onça-pintada será a protagonista da nova etapa do estudo de viabilidade no Parque Estadual do Pantanal do Rio Negro. A espécie será usada como indicador da saúde do ecossistema, em uma estratégia chamada de “espécie guarda-chuva”. O projeto é voltado para a geração de créditos de biodiversidade.

O tema será discutido nesta terça-feira (27), no Hotel Deville, em Campo Grande. O encontro reúne representantes do poder público, pesquisadores e organizações. O objetivo é avançar na criação de mecanismos que transformem a conservação ambiental em fonte de financiamento para áreas protegidas.

Estudos feitos entre 2024 e 2025 já indicaram o potencial do parque para esse tipo de crédito. Em julho de 2025, a Análise de Viabilidade foi entregue à Semadesc e ao Imasul. A iniciativa foi consolidada como projeto-piloto.

Os resultados mostraram oportunidades ligadas aos créditos de biodiversidade. Também foi apontado o potencial de replicação em outras unidades de conservação do país. Agora, o projeto entra na fase de implementação. O foco está na criação de indicadores, no monitoramento ecológico e na definição de regras para a comercialização dos créditos.

Na prática, o uso da onça-pintada permite avaliar a conservação de todo o ambiente ao redor. A espécie depende de grandes áreas preservadas e equilibradas. O monitoramento inclui armadilhas fotográficas e análise genética ambiental. Também está prevista a construção de uma base técnica para sustentar o projeto no mercado.

Para a secretária-executiva de Meio Ambiente da Semadesc, Ana Cristina Trevelin, o parque se consolidou como referência. “A articulação entre instituições públicas, organizações da sociedade civil e parceiros técnicos fortalece a capacidade do Estado de desenvolver soluções baseadas na natureza com potencial de replicação em outras áreas protegidas do país”, afirma.

“A partir das análises de viabilidade realizadas nos últimos anos, avançamos agora para a implementação das ações que vão comprovar a presença das espécies, estabelecer a linha de base do projeto e definir compromissos concretos de conservação”, diz Letícia Larcher, bióloga e gestora de projetos da Wetlands International Brasil e da Mupan.

Segundo Rodolfo Marçal, gerente de portfólio do Funbio, o desafio é dar escala à proposta. “O projeto representa um avanço ao estruturar instrumentos financeiros capazes de ampliar as ações de conservação ambiental”, afirma.

A iniciativa busca garantir sustentabilidade financeira para áreas protegidas, que hoje dependem de recursos públicos. “Buscamos inspirar outras organizações para ampliar as ações de conservação no Pantanal”, destaca Rafaela Nicola, diretora executiva da Wetlands International Brasil e diretora técnico-científica da Mupan.

O projeto é financiado pelo GEF, no âmbito do projeto Estratégias de Conservação, Restauração e Manejo para a Biodiversidade da Caatinga, Pampa e Pantanal. A coordenação é do MMA, com apoio do Banco Interamericano de Desenvolvimento, execução do Funbio e parceria com outras instituições.