O narcotraficante Gerson Palermo, de 68 anos, foi internado no Regime Disciplinar Diferenciado (RDD) da Penitenciária Federal de Campo Grande às 10h30 desta quinta-feira (28). Ele passará os primeiros 20 dias em isolamento total. A medida ocorre após seis anos foragido, período em que viveu em um povoado na Bolívia disfarçado de fazendeiro.
Palermo desembarcou em Mato Grosso do Sul na noite de quarta-feira (27). Ele foi capturado em território boliviano durante uma operação conjunta da Polícia Federal brasileira e da Força Especial de Luta Contra o Narcotráfico (FELCN) da Bolívia. Passou a noite na Superintendência da PF em Campo Grande e foi escoltado até o Fórum da Capital para uma audiência de custódia, que verificou a legalidade da prisão. Depois, ingressou no presídio federal.
De acordo com um policial penal federal, Palermo ficará em uma “cela de inclusão” para triagem. “Todo preso que é incluído no Sistema Penitenciário Federal passa por um período de triagem e fica em cela destinada para isso. Período de triagem são 20 dias. É o período em que o preso realiza o cadastro e faz avaliações médicas, psicológicas e jurídicas”, afirmou. Durante esse período, ele não terá contato com outros internos.
A cela de isolamento tem 14 metros quadrados, com espaço individual para banho de sol. A estrutura é planejada para impedir fugas: cama, banco, prateleiras e apoio para refeições são moldados em concreto na parede. Após a triagem, se tudo transcorrer normalmente, ele poderá ser transferido para outra ala, onde as celas são menores, mas os internos podem conviver durante o banho de sol. Nessa fase, o preso fica entre 22 e 23 horas por dia trancado sozinho, monitorado por áudio e vídeo 24 horas. O banho de sol é limitado a duas horas diárias.
As visitas familiares no RDD ocorrem a cada 15 dias, com duração máxima de duas horas e limite de dois visitantes adultos. O encontro é em parlatório, separado por vidro blindado e comunicação por interfone, sem contato físico. Não há acesso a televisão, rádio, celular ou qualquer aparelho eletrônico. O regime pode durar até dois anos consecutivos e ser renovado judicialmente.
Vida no crime
Apontado como liderança do PCC (Primeiro Comando da Capital), Palermo estava foragido desde 2020. Ele acumula cerca de 126 anos em condenações por tráfico internacional de drogas, roubos e sequestros. Em agosto de 2000, liderou o sequestro de um Boeing 727 da Vasp na rota Foz do Iguaçu-Curitiba. Homens armados renderam tripulação e passageiros e obrigaram o piloto a pousar em uma pista clandestina no Paraná para roubar R$ 5,5 milhões em malotes do Banco do Brasil.
Após o sequestro, Palermo passou a atuar no tráfico internacional de cocaína entre Bolívia e Brasil. Em 2017, foi alvo da Operação All In, da Polícia Federal. Em 2020, deixou o Presídio Federal de Campo Grande após conseguir prisão domiciliar concedida pelo desembargador Divoncir Schreiner Maran durante a pandemia. A decisão levou à investigação do magistrado sob suspeita de venda de sentença. Depois de obter liberdade, Palermo rompeu a tornozeleira eletrônica e desapareceu.
Sequestro da filha
Menos de 24 horas após chegar ao Brasil, Palermo foi interrogado por videoconferência em uma ação que o acusa de ser o mandante do sequestro da própria filha, em outubro do ano passado. Enquanto estava foragido na Bolívia, ele se passava por empresário do agronegócio em Cotoca, a 19 km de Santa Cruz de la Sierra. A investigação da Polícia Civil de Mato Grosso do Sul aponta que a jovem foi atraída após receber uma ligação do pai informando que enviaria dinheiro para o tratamento da avó materna. Ao sair do trabalho, entrou em um carro com homens armados e foi levada para uma casa na região das Moreninhas, onde ficou em cárcere. Os sequestradores enviaram fotos dela amarrada para familiares e fizeram ameaças de morte. Durante o depoimento, Palermo negou envolvimento com o caso. O sequestro da filha recolocou Palermo no radar das forças de segurança e culminou na sua prisão.
