09/01/2026

paris

Emmanuel Macron, presidente da França, anunciou que o país votará contra o tratado de livre-comércio entre a União Europeia e o Mercosur, em uma decisão que reflete a crescente insatisfação entre os agricultores franceses. O pronunciamento ocorreu em meio a manifestações de agricultores que expressavam suas preocupações sobre os impactos do acordo em suas atividades e na agricultura nacional.

Durante uma coletiva de imprensa, Macron destacou o que chamou de “rejeição política unanime” ao tratado na França. Ele afirmou que a assinatura do acordo não representa o fim da discussão e que a França se manterá vigilante em relação à proteção dos interesses agrícolas do país. “A França é favorável ao comércio internacional, mas este acordo é de um outro tempo, negociado em bases desatualizadas”, declarou o presidente.

A notícia do voto francês contra o tratado foi recebida com reações mistas. O líder do Rassemblement National (RN), Jordan Bardella, criticou a posição do governo, afirmando que Macron tenta criar uma “manobra de comunicação”, depois de anos de negociações nas quais, segundo ele, não defendeu os interesses dos agricultores. Bardella anunciou a intenção de seu partido de apresentar uma moção de censura contra o governo, tanto na Assembleia Nacional quanto no Parlamento Europeu.

Preocupações com o Acordo

A ministra da Agricultura, Annie Genevard, também se posicionou contra o acordo, afirmando que ele “não responde às nossas exigências de justiça, equidade e reciprocidade” para os agricultores franceses. Genevard apontou os riscos econômicos, sanitários e ambientais que o acordo representa, destacando que a França permanecerá comprometida em proteger sua soberania alimentar e suas políticas comerciais.

As manifestações na França, que contaram com a participação de cerca de 2.200 pessoas e 625 tratores, ocorreram em diversas cidades, culminando em ações em Paris, onde agricultores se reuniram em frente a marcos icônicos, como o Arco do Triunfo. O ministro do Interior, Laurent Nuñez, confirmou a mobilização e afirmou que não houve falhas nas forças de segurança durante as ações.

Apesar da oposição francesa, o tratado de livre-comércio com o Mercosur parece estar em um caminho favorável para a sua aprovação na Comissão Europeia. A Itália, que anteriormente se mostrava relutante, agora parece estar a favor do acordo, o que poderia facilitar sua aprovação em uma votação de maioria qualificada entre os Estados membros da UE. Representantes de outros países, incluindo Alemanha e Espanha, também manifestaram apoio ao tratado, que é visto como uma oportunidade para revitalizar a economia europeia.

Próximos Passos e Implicações

A votação programada para ocorrer na sexta-feira em Bruxelas será um momento decisivo para o futuro do tratado. Caso aprovado, a assinatura do acordo pode acontecer rapidamente, possivelmente já na próxima semana no Paraguai. No entanto, Macron reafirmou que a França continuará a lutar por condições que protejam os agricultores franceses e que qualquer avanço no acordo deve incluir medidas de salvaguardas para evitar impactos negativos no mercado agrícola europeu.

O desfecho deste processo não apenas terá implicações diretas para os agricultores franceses, mas também refletirá as tensões em torno da política comercial da União Europeia e as expectativas dos cidadãos em relação à proteção de suas economias locais. O cenário se mostra complexo, com a balança pesando entre os interesses agrícolas e a necessidade de fortalecer laços comerciais globais.