O governo dos EUA anunciou nesta terça-feira uma redução no número de suas brigadas estacionadas na Europa. A medida ocorre após um anúncio anterior, em maio, de que diminuiria o número de tropas atuantes na Alemanha. O anúncio acontece em meio à pressão contínua do presidente Donald Trump para que os aliados europeus aumentem seus gastos com Defesa.
O Pentágono reduziu o número total de Brigadas de Combate (BCTs) designadas para a Europa de quatro para três, afirmou o órgão em um comunicado. Uma BCT normalmente consiste em entre 4.000 e 4.700 militares, de acordo com um relatório do Congresso.
O comunicado informou que a redução resultou em um “atraso temporário” no envio de tropas americanas para a Polônia. O anúncio foi precedido por uma declaração do vice-presidente, JD Vance, que confirmou que o envio planejado de 4.000 soldados para a Polônia havia sido adiado, e não cancelado.
“O Departamento de Defesa determinará a destinação final dessas e de outras forças americanas na Europa, com base em análises adicionais das necessidades estratégicas e operacionais dos EUA, bem como na capacidade de nossos aliados de contribuir para a defesa da Europa”, afirmou o Pentágono em comunicado.
No início do mês, Trump ordenou a retirada de 5.000 soldados da Alemanha no prazo de um ano. A medida escalou sua disputa com Berlim e os aliados da Otan perante a relutância europeia em apoiar o esforço de guerra americano no Irã. Na época, o republicano afirmou considerar também reduzir tropas americanas na Itália e Espanha.
A medida foi tomada dias após o chanceler alemão, Friedrich Merz, dizer que a liderança iraniana estava “humilhando” os EUA na guerra e que não via uma estratégia americana para sair do conflito.
“Essa decisão surge após uma análise minuciosa da presença militar do Departamento de Defesa na Europa”, afirmou o porta-voz do Pentágono, Sean Parnell, em comunicado divulgado na ocasião. “Prevemos que a retirada seja concluída nos próximos 6 a 12 meses.”
Citado pelo jornal britânico Guardian sob condição de anonimato, um alto funcionário do Pentágono disse que a retórica recente da Alemanha foi “inapropriada”. “O presidente está reagindo corretamente a essas declarações contraproducentes”, disse ao jornal britânico.
Em outra frente, o Senado dos EUA votou a favor de uma medida para forçar Trump a encerrar a guerra com o Irã ou solicitar autorização do Congresso para seguir. A votação reflete a insatisfação de parte do Legislativo com a condução do conflito pelo presidente.
