Uma pesquisa realizada pela Ecoa (Ecologia e Ação) identificou alterações nas fases reprodutivas do baru, árvore nativa do Cerrado, em Mato Grosso do Sul. O estudo comparou 304 observações registradas em 2022 com 49 registros feitos em 2025, ao longo de seis meses de monitoramento.
Os dados indicam que, em 2025, houve um aumento na proporção de árvores em início de floração. Em 2022, 54,3% das observações correspondiam a árvores com botões florais. Em 2025, esse percentual subiu para 74,5%. Por outro lado, a proporção de árvores com flores abertas caiu de 6,9% para 2,1%. A presença de árvores com frutos também diminuiu, passando de 29,3% para 14,9%. A quantidade de frutos caídos no solo variou pouco, de 9,9% para 8,5%.
Segundo Nathalia Ziolkowski, diretora-presidenta da Ecoa e coordenadora da iniciativa, os novos dados ajudam a construir uma base histórica sobre o comportamento da espécie. “Eles ajudam a construir uma base histórica que permitirá compreender melhor as variações entre safras e suas possíveis relações com fatores ambientais e climáticos”, afirma.
Apesar das diferenças observadas, os pesquisadores alertam que ainda não é possível afirmar se as alterações são duradouras. Fatores como condições climáticas, regime de chuvas e diferenças na época dos levantamentos podem ter influenciado os resultados. A continuidade do monitoramento será necessária para verificar se os dados indicam uma tendência ou apenas uma variação natural.
A pesquisa conta com a participação direta de comunidades extrativistas. Por meio da metodologia de ciência cidadã, famílias registram em campo dados sobre floração, frutificação, clima e localização dos baruzeiros. As informações são coletadas pela plataforma KoboToolbox e alimentam o Mapa Interativo da Ciência Cidadã do Baru, desenvolvido pela Ecoa.
A ferramenta reúne informações sobre áreas de coleta, biodiversidade e clima. A atualização foi produzida com a participação de oito comunidades envolvidas no extrativismo do baru em Mato Grosso do Sul. O mapa auxilia no planejamento da safra e na rastreabilidade da cadeia produtiva.
Em relação à distribuição espacial, o estudo aponta que o núcleo principal de ocorrência da espécie permaneceu estável entre 2022 e 2025. As maiores concentrações de registros continuam na região formada pelos municípios de Anastácio, Nioaque e Dois Irmãos do Buriti. O mapa permanece em atualização contínua e deve receber novos registros nos próximos anos.
O projeto é realizado pela Ecoa em parceria com a organização dinamarquesa Forests of the World, com financiamento da Danida. A iniciativa também conta com a participação do CEPPEC (Centro de Produção, Pesquisa e Capacitação do Cerrado), de Nioaque, e da organização dinamarquesa NØDDEBAZZAREN.
