05/05/2026
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Pesquisa inédita testa hidrogênio verde com GLP na indústria

Foi inaugurado, nesta terça-feira (5), um laboratório na UFMS (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul) para testes da mistura de hidrogênio (H₂) verde e GLP (Gás Liquefeito de Petróleo), o popular gás de cozinha. A previsão é que em 20 meses os estudos resultem num produto para queima em indústrias menos poluente e mais econômico em relação a outras opções disponíveis no mercado.

Indústrias dos segmentos de alimentos e de produção de vidros planos poderão aderir ao GLP + H₂, segundo o coordenador da pesquisa, o professor doutor do Instituto de Física da universidade, Cauê Alves Martins. Ele está envolvido em análises nessa área há 15 anos.

O pesquisador destaca a redução da emissão de gás carbônico (CO₂) e também de óxido de nitrogênio, o NOx, que pode causar sérios danos ao sistema respiratório. Na área financeira, as vantagens podem ser a economia na produção e os ganhos em créditos de carbono.

“Esse tipo de tecnologia tem um impacto direto para o industriário com a redução de emissões e geração de crédito. Para a sociedade, o impacto é ter uma indústria produzindo menos poluentes e, por consequência, um ar mais limpo e redução do impacto à saúde”, resume Cauê. Membro do projeto há quase dois anos, ele diz que “é a melhor profissão do mundo porque todos os dias são diferentes e você pode exercitar sua criatividade intelectual”.

A doutora em Química Cinthia Rodrigues Zanata Santos é a responsável pelo estudo da chama gerada a partir da combustão, na área chamada de eletroquímica. Ela faz parte da equipe de desenvolvedores da Copa Energia, empresa que propôs a parceria com a UFMS e planeja colocar a solução à venda após a conclusão de todas as etapas.

A pesquisadora explica que a análise do comportamento da combinação de gases será feita no laboratório inaugurado. Os testes são seguros e o ambiente de pesquisa, apesar de pequeno, é ideal para o tipo de análise. A pesquisa inclui um gerador com rodas, compacto, que oferece segurança em relação a acidentes. “Ele vai conter toda tecnologia para gerar o hidrogênio verde in loco. Não serão levados cilindros de hidrogênio, ele não será armazenado na base do cliente”, descreve. O hidrogênio verde é produzido a partir da quebra de moléculas da água em hidrogênio e oxigênio usando uma fonte de energia.

Segundo estudos da empresa, a redução na emissão de CO₂ pode chegar a 20% e a economia no consumo de GLP pelas indústrias pode atingir o mesmo percentual, a depender do tipo de uso. Em um ano, isso pode representar cerca de R$ 150 mil.

A iniciativa é inédita no País e o equipamento que fará a combustão dos dois gases é o primeiro a ser desenvolvido com esse objetivo no mundo, de acordo com a Copa Energia. Representantes da empresa não comentaram sobre projetos futuros para exportar a tecnologia.

O diretor de desenvolvimento e inovação da Copa Energia, Luiz Felipe Pellegrini, reconhece que a combinação do GLP e do H₂ não tem o menor índice de emissão de poluentes conhecido, mas ressalta que ela soma características que podem atender as indústrias diante de desafios da transição energética e de questões geopolíticas. “O foco principal da tecnologia nesse momento é o atendimento da indústria”, diz. Em outra frente, a empresa está trabalhando na mesma solução para botijões de gás de uso residencial e também estuda o gás biometano.

A reitora da UFMS, Camila Ítavo, comentou que a empresa tem projetos junto à Copa Energia desde a época da pandemia de Covid-19, quando foi implantada uma solução alternativa de energia no Humap (Hospital Universitário Maria Aparecida Pedrossian). Depois disso, a primeira parceria para pesquisa começou com o objetivo de analisar a qualidade do GLP importado da Bolívia. Segundo a reitora, os benefícios incluem a entrega de conhecimento com impacto direto à sociedade, além de bolsas científicas aos pesquisadores e aos estudantes envolvidos. A parceria também inclui a entrega de equipamentos e a permanência do laboratório, que futuramente poderão ser utilizados para outras finalidades na UFMS.