13/01/2026
Jornal Expresso»Notícias»PF investiga deputado Félix Mendonça por desvio de emendas

PF investiga deputado Félix Mendonça por desvio de emendas

A Polícia Federal (PF) deflagrou, nesta terça-feira (13), a nona fase da Operação Overclean, com foco no deputado federal Félix Mendonça (PDT-BA). A ação inclui mandados de busca e apreensão, que foram cumpridos no apartamento funcional do parlamentar em Brasília e em nove endereços em municípios da Bahia, como Salvador e Mata de São João. As medidas foram autorizadas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) e visam desarticular uma organização criminosa suspeita de desvio de recursos públicos provenientes de emendas parlamentares.

De acordo com a PF, a investigação busca combater práticas de corrupção e lavagem de dinheiro. Além da busca em propriedades, o STF determinou o bloqueio de R$ 24 milhões em contas bancárias de pessoas físicas e jurídicas envolvidas nas investigações, com o intuito de interromper transações de valores de origem ilícita e garantir ativos para possíveis reparações aos cofres públicos.

Os envolvidos na operação poderão enfrentar acusações de organização criminosa, corrupção ativa e passiva, peculato, fraude em licitações e contratos administrativos, além de lavagem de dinheiro. A operação conta com o suporte da Controladoria-Geral da União (CGU) e da Receita Federal, reforçando a gravidade das suspeitas que cercam o caso.

Esta não é a primeira vez que Félix Mendonça é alvo da Operação Overclean. Em junho do ano passado, o deputado já havia sido investigado por um esquema que, segundo a PF, envolvia a liberação de emendas parlamentares destinadas a municípios da Bahia entre 2021 e 2024. Naquela ocasião, a PF alegou que o grupo criminoso atuava mediante o pagamento de vantagens indevidas e manipulação de procedimentos licitatórios. A investigação apontou um assessor parlamentar de Mendonça como o principal operador financeiro do esquema, resultando em medidas de busca e o afastamento do cargo desse assessor.

Após a primeira operação, Mendonça expressou surpresa e indignação, negando qualquer irregularidade na destinação de suas emendas. “Prezo muito pelo meu mandato. Estou surpreso. É algo muito ruim. Tudo vai ser investigado e esclarecido, mas já é uma mancha”, disse o deputado na época.

Nas fases anteriores da Operação Overclean, as investigações da PF indicaram a atuação de um grupo criminoso que teria impactado o Departamento Nacional de Obras Contra as Secas (Dnocs), órgão vinculado ao Ministério da Integração Nacional, especialmente na Bahia. Esse grupo é acusado de direcionar recursos de emendas parlamentares e convênios para empresas ligadas a administrações municipais, resultando em superfaturamento de obras e desvios financeiros. Estima-se que esse esquema tenha movimentado cerca de R$ 1,4 bilhão em contratos fraudulentos e obras superfaturadas.

A Operação Overclean, portanto, revela a complexidade e a extensão de um possível esquema de corrupção que envolve a destinação de recursos públicos no Brasil. A continuidade das investigações e o andamento dos processos judiciais serão cruciais para esclarecer as responsabilidades e assegurar que a justiça seja feita, em um contexto onde a fiscalização e a transparência são cada vez mais necessárias na gestão pública.

Sobre o autor: Antônio

Ver todos os posts →