A Polícia Civil de Mato Grosso do Sul descartou a hipótese de feminicídio na morte de Lucineia da Silva Terres, 39 anos. Ela foi encontrada sem vida em sua residência, no bairro Jardim Los Angeles, em Campo Grande, na sexta-feira (12). O namorado da mulher chegou a ser levado para a Deam (Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher), mas foi liberado.
Inicialmente, a suspeita era de que Lucineia havia sido vítima de crime passional. A hipótese foi descartada após a inspeção do imóvel e o depoimento de testemunhas. A delegada Elisângela Cristaldo explicou que a residência não apresentava sinais de desalinho, luta ou desordem que sugerissem agressão física ou discussão.
O exame preliminar no corpo da vítima também foi determinante. Os peritos criminais não identificaram marcas de violência, hematomas ou lesões defensivas. “Não tinha nada de bagunça na casa, nada de marca no corpo. Ela já estava passando mal há um tempo. Foi uma fatalidade. O namorado mesmo falou que ela ‘deu um troço’ e aí todas as características apontavam para um infarto”, disse a delegada.
A investigação apurou que o companheiro agiu de forma imediata ao notar o mal-estar. Ele tentou realizar manobras de ressuscitação e acionou o socorro médico de urgência. Foi constatado que o homem não tinha passagens pela polícia ou histórico de comportamento violento.
A filha da vítima, uma adolescente de 16 anos, prestou depoimento à polícia. Ela trouxe informações sobre o histórico de saúde da mãe. Na residência, foram encontradas receitas de medicamentos controlados para depressão e ansiedade.
Segundo a jovem, a mãe se queixava de episódios de “coração apertado” desde a semana retrasada. Acreditando ser uma crise de ansiedade, a mulher procurou atendimento em um posto de saúde, onde recebeu medicação. O quadro clínico persistiu nos dias seguintes.
“Eu conversei com a filha de 16 anos depois. A gente encontrou lá na casa umas receitas, ela estava com depressão. Na semana retrasada, ela estava já meio com o ‘coração apertado’. Ela achou que era ansiedade, foi no posto, pediu um medicamento depressivo e continuou assim”, afirmou Elisângela.
Na manhã do falecimento, o estado de saúde se agravou. A filha relatou que a mãe acordou muito indisposta e com fortes vômitos. Diante do mal-estar, a mulher cogitou a possibilidade de estar grávida e fez um teste, que deu negativo. Antes do colapso, ela ainda levou a filha a um curso e planejava retornar para descansar.
A investigação também apontou que o namorado não era conhecido por toda a família porque a vítima estava em processo de divórcio de um relacionamento anterior, que durou seis anos e foi descrito como abusivo. Por isso, ela mantinha o novo companheiro de forma discreta. A adolescente confirmou que sabia da existência do namorado e que ele prestava apoio constante, inclusive financeiro, à mãe. O depoimento do homem coincidiu com os fatos narrados pela jovem e com a cronologia do colapso da vítima.
Diante da convergência entre os laudos periciais, a ausência de vestígios criminais e o histórico de saúde corroborado por familiares, a polícia concluiu o caso como morte natural decorrente de uma fatalidade médica. As suspeitas de infração penal no âmbito doméstico foram encerradas.
