Subiu para 21 o número de jovens desaparecidos em São Miguel dos Milagres (AL). Os sumiços em série, segundo as investigações, apontam para a atuação do crime organizado e expõem um cenário crítico na segurança pública do litoral alagoano.
No domingo (19/4), mais dois nomes entraram na lista dos desaparecidos. Carlos Manoel Bezerra, 29 anos, e Cícero Lins dos Santos Junior, 27, sumiram em Passo de Camaragibe, município que faz parte do mesmo corredor turístico. Carlos saiu de casa dizendo que dormiria na casa da namorada, mas não chegou. Cícero afirmou que buscaria uma galinha em outra casa. Não voltou.
A sucessão de desaparecimentos ganhou um novo capítulo nesta quinta-feira (23/4), após a circulação de um vídeo gravado por um morador. A filmagem mostra os membros de um corpo humano espalhados em uma via vicinal. Na estrada, há um braço e uma perna. O Correio apurou com fontes policiais que a suspeita é de que a vítima seja Cícero. Preliminarmente, os familiares reconheceram uma cicatriz no cadáver. Horas depois, outro corpo masculino foi encontrado em uma área erma. Possivelmente de Carlos, afirmaram as fontes.
Uma extensa nota oficial da Secretaria de Segurança Pública do estado afirma que os 19 desaparecidos na região têm elo com o crime organizado. A informação é refutada pelos familiares, que se mostraram revoltados com o posicionamento da pasta. “Estão justificando as mortes?”, questionou uma mãe que preferiu não revelar o nome.
No documento, a SSP diz ter produzido um levantamento que confirma a declaração. “O trabalho de inteligência identificou que os desaparecidos possuem antecedentes criminais formais, vínculos ativos a organizações criminosas ou dívidas com o narcotráfico. As investigações em curso apontam para dinâmicas internas do crime organizado como fator determinante nas ocorrências”, destaca.
O secretário de Segurança Pública, Flávio Saraiva, elenca duas hipóteses para os sumiços: fuga como forma de sobrevivência ou ação violenta. Ainda de acordo com a secretaria, o estudo identificou a presença e a rivalidade de ao menos quatro grupos criminosos na região: a Tropa do Kebinho, vinculada ao Comando Vermelho; o Trem Bala do CV; o PCC (Primeiro Comando da Capital); e a Tropa dos Crias, sediada em São José da Coroa Grande-PE e ligada ao PCC.
O Ministério Público do Estado de Alagoas, por meio da Promotoria de Justiça de Passo de Camaragibe e do Programa de Localização e Identificação de Desaparecidos de Alagoas (PLIDAL), informou ter adotado as providências necessárias para a apuração dos casos. Foram requisitados à autoridade policial os boletins de ocorrência e informações sobre os inquéritos instaurados.
O MPAL ressaltou que qualquer informação sobre as circunstâncias dos desaparecimentos ou o perfil das vítimas deve ser tratada com responsabilidade e só pode ser considerada válida quando respaldada por elementos concretos das investigações oficiais.
