Mais de um ano após a proliferação das plantas aquáticas no Rio Pardo, em Ribas do Rio Pardo, a 97 km de Campo Grande, autoridades e moradores ainda não sabem a origem do fenômeno. O problema começou em fevereiro de 2025, quando as macrófitas tomaram o rio, dificultando a navegação, a pesca e o lazer na região.
Na época, o proprietário de um imóvel no local, Maikon Roger Vargas de Araújo Calzolaio, entrou com ação popular contra a Pantanal Energética Ltda., responsável pela usina, e contra o Imasul (Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul). Segundo o advogado Marco Antônio Teixeira, não houve atuação efetiva do poder público desde então. Ele afirma que a responsabilidade principal é do órgão ambiental estadual, que deveria ter exigido medidas.
O processo ainda está em andamento, e Teixeira aguarda a fase de manifestação após as contestações dos réus. Ele explica que a Pantanal Energética assumiu o compromisso de manter o local limpo, mas não cumpriu. “Só depois de grande repercussão na imprensa e do ingresso da ação judicial é que começaram a tomar providências”, diz o advogado.
Poder público
A Prefeitura de Ribas do Rio Pardo afirma ter adotado medidas imediatas. Segundo o diretor do Departamento de Meio Ambiente, Marcelo Ângelo da Maia Cunha, uma reunião foi realizada em 21 de julho de 2025 com o prefeito Roberson Moureira, o secretário Luiz Eduardo e o diretor-presidente do Imasul, André Borges, para tratar do problema. O Imasul orientou o município a requisitar as licenças ambientais de grandes empreendimentos ao longo do rio. A prefeitura formalizou o pedido e recebeu a documentação.
O município também solicitou acesso às análises de qualidade da água que as empresas são obrigadas a apresentar. Esses dados ainda não foram encaminhados, e a administração segue cobrando o material. Após vistoria técnica, o Imasul autorizou a empresa Elera, responsável pela usina, a abrir as comportas para extravasar as macrófitas rio abaixo.
Moradores afetados
Moradores permanecem sem informação sobre o andamento do caso. O empresário Victor Baziliche afirma que, mesmo após a abertura das comportas, a água apresenta mau cheiro e as plantas se acumulam nas margens. “Nossa área desvalorizou cerca de 80% por conta dessas plantas”, relata. O professor Leondeniz Guariero, também proprietário de imóvel no local, diz que a situação pouco mudou. “A situação segue praticamente a mesma. As plantas sobem e descem o rio”, afirma.
Possíveis causas
A professora do Instituto de Biociências da UFMS, Edna Scremin-Dias, apontou que o fenômeno indica eutrofização, causada por excesso de nutrientes na água, possivelmente de atividades agropecuárias, esgoto e redução do nível do rio. A barragem também contribui ao alterar o fluxo e favorecer o acúmulo de sedimentos. A pesquisadora diz que é necessário realizar análises químicas para verificar os níveis de nutrientes, inclusive da água devolvida ao rio por empreendimentos como a Suzano. Somente com a identificação das causas será possível adotar medidas de mitigação.
O Imasul e a usina foram procurados pela reportagem e o espaço permanece aberto para manifestação.
