16/01/2026
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Trump e sua relação com a Arábia Saudita impactam Israel

O encontro entre o príncipe saudita Mohammed bin Salman e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, no Salão Sul da Casa Branca, foi um dos mais opulentos da presidência de Trump. Embora considerado uma visita de trabalho, o evento superou em extravagância outras visitas de estado. O presidente recebeu o príncipe com uma cerimônia que incluiu homens uniformizados a cavalo e um sobrevoo de jatos de combate.

No Oval Office, decorado com móveis luxuosos, Trump demonstrou sua admiração pelo príncipe, elogiando repetidamente sua amizade. No entanto, quando uma jornalista questionou sobre o assassinato do jornalista Jamal Khashoggi, ocorrido em 2018, Trump se mostrou defensivo. Ele insinuou que Khashoggi era uma figura “extremamente controversa” e rechaçou a ideia de que o príncipe soubesse sobre o crime cometido por agentes sauditas.

A recepção do príncipe em Washington não apenas reforçou laços entre os dois países, mas também destacou mudanças na política externa dos EUA. Durante o encontro, Trump confirmou a venda de jatos de combate F-35 para a Arábia Saudita, afirmando que as especificações seriam idênticas às enviadas a Israel. Essa decisão contraria uma norma histórica que assegura a Israel a melhor tecnologia militar na região, além de levantar preocupações em Tel Aviv.

Outro ponto importante da visita foi a decisão de liberar a venda de chips de inteligência artificial para a Arábia Saudita e os Emirados Árabes Unidos. Isso pode impulsionar as ambições da Arábia Saudita de se tornar um centro tecnológico global, dado o seu interesse em estabelecer grandes datacenters.

A troca de promessas entre os países também foi notável. O príncipe Mohammed prometeu um investimento de US$ 1 trilhão na economia americana, embora não tenha definido um prazo claro. O governo dos EUA está considerando a normalização das relações sauditas com Israel, mas o príncipe deixou claro que isso dependeria de um compromisso sólido com a criação de um estado palestino.

Nos últimos meses, o governo dos EUA parece ter se distanciado de uma política que priorizava Israel. Recentemente, uma resolução da ONU proposta pelos EUA, que abordava a possibilidade de um estado palestino, causou desconforto nas autoridades israelenses. Além disso, Trump levantou algumas sanções contra a Síria, o que descontentou Israel.

A relação de Trump com líderes autocráticos como Mohammed bin Salman é evidente. Ao contrário de líderes eleitos que enfrentam desafios internos, o príncipe saudita não sofre as mesmas restrições e deixou claro que, se os EUA não atenderem suas demandas, buscará apoio na China.

Esse reinício nas relações entre os EUA e a Arábia Saudita, que inclui promessas de investimentos e tecnologia, representa uma virada nas prioridades norte-americanas no Oriente Médio. Contudo, analistas indicam que a política externa dos EUA, embora pareça estar mudando, pode não ter sofrido uma transformação fundamental. A dinâmica de investimentos, interesses políticos e acordos de segurança continua a guiar as relações na região.