31/05/2026
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Vila Nasser resgata tradição com “Caramelo da Copa” pintado na rua

Moradores da Vila Nasser, em Campo Grande, se reuniram para pintar um cachorro caramelo vestido com a camisa da Seleção Brasileira no asfalto da Rua Oscár Ferreira Bugre, próximo ao número 615. A ação resgata a tradição de decorar ruas durante a Copa do Mundo.

O torneio começa no dia 11 de junho e a estreia da Seleção Brasileira está marcada para 13 de junho. A iniciativa reuniu moradores de diferentes idades para celebrar o futebol e manter viva uma manifestação cultural que, segundo os participantes, vem desaparecendo com o passar dos anos.

O artista independente Lucas Nascimento, de 29 anos, conhecido como “Rabisco Easy”, foi o responsável pela arte. Ele contou que o projeto surgiu a partir de uma parceria já desenvolvida durante o mês. “A ideia surgiu através de uma parceria que tenho com a Sertão. Durante esse mês, espalhamos várias artes da Copa do Mundo pela cidade. Quando surgiu a oportunidade de pintar uma rua inteira, eu aceitei o desafio na hora”, afirmou.

Lucas disse que já tinha feito muitos murais e pinturas em paredes, mas nunca no chão. “Foi um desafio que me tirou da zona de conforto e, justamente por isso, me motivou ainda mais”, disse. A pintura foi realizada na rua onde ele nasceu e cresceu. “Convidei amigos, moradores e pessoas que acompanham meu trabalho. Teve muita tinta, churrasco, pagode, debaixo do sol”, relembrou.

O desenho do cachorro caramelo, figura que se tornou um dos símbolos mais populares da cultura brasileira nos últimos anos, foi escolhido para representar o clima descontraído e popular da Copa. Segundo Lucas, o projeto ainda deve crescer. “O resultado foi um grande caramelo. E esse é apenas o começo. A ideia é continuar a pintura até o final da rua”, revelou.

O projetista Wellington Alves Cerqueira, de 33 anos, ajudou na pintura e destacou o sentimento de nostalgia como principal motivação. “Essa ideia veio de uma nostalgia que a gente tem do passado, da época de Copa do Mundo, onde a gente pintava as ruas para celebrar a Copa. E hoje a gente estava querendo passar isso para os nossos filhos, para os nossos parentes mais novos que não viveram essa época”, disse.

Wellington estava acompanhado do filho Leonardo, de três anos, que também participou da atividade. “A primeira Copa dele, ele já ajudou a pintar ontem aí. Tava aí na pintura”, contou com orgulho. Para ele, envolver as crianças é uma forma de manter viva a tradição. “Eu vejo que hoje em dia morreu um pouco essa cultura. É bom a gente sempre estar incentivando as crianças a fazer isso”, avaliou.

A doméstica Neusa Pires, de 47 anos, também participou da ação e lembrou sua ligação antiga com o esporte. “Eu costumava jogar bola, também já joguei muito bola. Teve um time de futebol feminino no Paraná. A rua está toda pintada. É uma tradição que é antiga”, afirmou. Para ela, falta as pessoas pegarem mais ânimo pela Copa. “Trazer as coisas do passado para relembrar hoje para as pessoas que não tiveram oportunidade”, acrescentou.

O repositor Carlos Eduardo Samael Valente de Oliveira, de 21 anos, afirmou que está animado para a competição, mas mantém cautela quanto às chances do Brasil. “Estou animado. Costumo acompanhar bastante a Copa do Mundo. Eu acho que vai ser boa. Porém, eu acho que o Brasil não vai muito bem. Não tem aquela esperança”, desabafou.

Independentemente das expectativas dentro de campo, a pintura da Rua Oscár Ferreira Bugre já cumpriu um objetivo para os moradores: transformar o espaço público em ponto de encontro da comunidade e reacender uma tradição que marcou a infância de muitos brasileiros.