A passageira Parlyan Melissa de Oliveira, de 28 anos, contou que ouviu gritos e choros após o acidente na BR-060, em Camapuã. Ela estava no ônibus que tombou depois de bater em um carro. Duas pessoas morreram e 12 ficaram feridas.
“Ouvi muitos gritos do pessoal que estava em cima ‘meu Deus, meu Deus, ele morreu’. Havia crianças no ônibus chorando, muita gente gritando, eu gritei muito também”, disse a autônoma. Ela mora em Goiânia e viajava para Campo Grande para o Dia das Mães.
Parlyan estava dormindo e acordou com o susto. “Só senti o ônibus freando. O ônibus caiu do meu lado e a janela estourou”. Ela estava na parte de baixo do veículo, que tem dois andares. Teve um corte na testa e arranhões nas costas.
A passageira disse que a porta do ônibus travou. “Eu tentava abrir e a porta não abria. Outra pessoa tentou quebrar a janela de emergência e não conseguiu”. A saída levou cerca de 15 minutos. Ela não sabia que era uma colisão com um carro. “Achei que o ônibus tinha saído da pista. Depois, vi o carro todo destruído”.
Do lado de fora, viu pessoas feridas e sangrando. Não havia sinal de celular. Uma dupla sertaneja que passava pelo local ajudou as vítimas. Um caminhão com internet via satélite permitiu o contato com o Samu. Parlyan perdeu um anel de ouro, herança da avó, e não recuperou a mala.
Detalhes do acidente
Segundo a Polícia Rodoviária Federal, o acidente foi por volta das 5h20. O ônibus fazia a linha Brasília-Campo Grande e levava 17 passageiros. Após a batida, o ônibus tombou fora da pista. O motorista do VW Golf, de 33 anos, morreu no local. O passageiro do carro foi levado em estado grave. Um passageiro do ônibus, de 61 anos, também morreu. As causas serão investigadas.
Os passageiros sem ferimentos pegaram carona em outro ônibus. Parlyan avisou a mãe durante o trajeto. A previsão de chegada era 7h30, mas ela chegou por volta das 10h. A viagem já tinha começado com imprevistos. Ela perdeu uma carona até a rodoviária e chegou perto do horário do embarque. Na parada para jantar, não quis comer devagar. “Queria chegar logo, estava ansiosa para ver minha mãe”, disse.
