21/05/2026
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Agências físicas: último reduto contra golpes digitais

O professor Gabriel Dorfman, do Departamento de História da Arquitetura e do Urbanismo da Universidade de Brasília, defende que o espaço físico de atendimento bancário funciona como uma cidadela na defesa dos cidadãos contra golpes e abusos digitais. Em artigo publicado, ele argumenta que a chamada “inclusão digital” esconde o avanço do poder econômico e político sobre a autonomia das pessoas.

Para Dorfman, a digitalização dos serviços bancários é um campo de batalha onde o grande capital cerca os interesses da classe média. O processo teria dois objetivos: extinguir os trabalhadores do setor financeiro e submeter o cidadão comum aos interesses de poucos detentores de capital. O primeiro objetivo, segundo ele, já está quase alcançado, com bancários reduzidos a um grupo pequeno submetido a metas e instabilidade.

O segundo objetivo estaria perto de ser concluído quando nenhum cidadão tiver o direito de ficar a salvo do que chama de “tsunami” digital no setor financeiro. O professor afirma que a multiplicação de bancos digitais e a adesão dos bancos tradicionais a essa tendência criaram uma aliança entre predadores do mundo digital e o grande capital. Essa simbiose, diz, se torna uma cumplicidade, já que o argumento da “segurança” é usado para justificar o fechamento de agências físicas.

O texto compara a redução de agências bancárias à conduta de criminosos que escondem seus endereços para escapar das autoridades. Para Dorfman, o cidadão comum deve se ater a prestadores de serviço que tenham endereço físico conhecido e acessível, pois isso os obriga a mostrar a face e responder por seus atos.

Gabriel Dorfman é doutor em Arquitetura pela Technische Universität Berlin. O artigo foi publicado originalmente no site Campo Grande News. As opiniões expressas no texto não refletem necessariamente a posição do portal.